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Expresso

Manuela Ferreira Leite

O estado do défice

Os jornais anunciaram que o ministro das Finanças iniciou a apresentação do orçamento para 2008 lembrando que em 2005 o défice era de 6.1% e que hoje estará nos 3%.

Notável, dirão alguns.

Valeu o sacrifício, dirão outros.

Interessa, no entanto, recordar que 6.1% foi um valor construído a partir de um défice de 2.8% a que se retiraram receitas extraordinárias e adicionaram pagamentos de dívidas.

Assim, a leitura correcta da evolução do défice, implicaria que ao valor de 3%, agora apresentado, se aplicassem os mesmos critérios que em 2005 e, nessa altura, se concluiria que a dimensão da queda do défice não é a anunciada.

Só que o ministro sabe quanto seria frustrante para os cidadãos ter consciência da fraca utilidade dos sacrifícios que lhes têm sido pedidos e não vê como resolver a situação.

Na verdade, dado o atraso na reforma da Administração Pública e a proclamada aversão a receitas extraordinárias só lhe resta aumentar a carga fiscal, como é patente no orçamento, e esperar pela capacidade dos contribuintes para a suportar.

Esta sim, é notável.