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Expresso

Manuela Ferreira Leite

Imprevisibilidade

Prever significa enunciar o que pode acontecer no futuro.

Pouco a pouco, ao longo dos tempos, a ideia de olhar com antecedência o que só ocorrerá mais tarde foi ganhando uma extensão e uma profundidade que transformaram as previsões num instrumento privilegiado de apoio às políticas.

Para serem credíveis eram sempre complementadas, como deve ser, pela consideração das restrições e condições subjacentes aos cenários em análise.

Com o aperfeiçoamento das técnicas de previsão, transformaram-se num instrumento de apoio aos decisores políticos que parecia sólido e infalível.

Mas o desenvolvimento tecnológico e a globalização em que vivemos vieram tornar mais difícil a interpretação dos sinais.

Às previsões quase infalíveis está a suceder o fenómeno da imprevisibilidade que passou a ser a marca dos nossos dias.

O horizonte das certezas passou a ter a duração de minutos, tal a rapidez com que os fenómenos se propagam.

Propor ou planear não pode assentar mais em premonições e muito menos em pressentimentos.

Por isso, aos responsáveis políticos se pede cada vez maior prudência e mais informação antes de anunciar ou agir, porque a imprevisibilidade passou a ser o factor mais importante a ter em conta quando se visiona o futuro.