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Expresso

Manuel Ennes Ferreira

O mercado angolano é... cool!

Tal como as empresas devem ser dinâmicas e abertas à transformação e às características e potencialidades dos mercados, também estes se alteram. Na decisão empresarial, não são apenas os factores internos à empresa que contam para as opções estratégicas de investimento.

Os chamados factores de localização, em muitos casos, são decisivos. Factores económicos, naturalmente, mas não só. A maior ou menor instabilidade política, questões de ordem social, laboral e jurídica, entre outros, condicionam aquele tipo de decisão. Angola é, a este nível, um caso paradigmático. Desde que se tornou independente, já passou por diversas fases, ora estimulando o investidor estrangeiro ora afugentando-o. Neste momento parece que todos os factores estão em alta e deslumbram as empresas portuguesas. Peguemos num dos casos mais recentes: a Logoplaste do conhecido empresário Filipe Botton. Há cerca de três anos, em 29 de Janeiro de 2006, o jornal 'Público' dava conta de declarações daquele empresário: "criar uma Logoplaste EUA ou uma Logoplaste Angola tem o mesmo custo... Só que o potencial de crescimento dos EUA face a Angola é incomparável". E acrescentava, referindo-se à reduzida dimensão do mercado: "prefiro ir para Filadélfia ou Boston, onde há 40 milhões de habitantes com uma alta capacidade de consumo. E onde tenho sistemas logísticos e financeiros à minha espera".

Talvez porque o mercado norte-americano dá sinais de que a contracção económica o tornará 'um mercado pequeno' e porque o abalo no sistema financeiro americano já não o aguarda de braços abertos, a Logoplaste virou-se para o mercado angolano.

É, como se diz em bom português, de homem, e denota uma adaptabilidade que se espera de empresas dinâmicas e atentas. E por isso, em declarações vindas na imprensa a semana passada, afirma: "olhamos para Angola com grande carinho". Carinho esse que o faz estar a seguir os trâmites legais e administrativos para investir 5 milhões de euros numa fábrica de moldes de plástico num mercado que apresenta um desafogo financeiro notável e um ritmo de crescimento do mercado interno entusiasmante. Ora para quem vem dos EUA para investir em Angola só pode pensar: o mercado angolano é... "cool"!

Manuel Ennes Ferreira

Professor do ISEG e "think tank" Grupo África-IPRI