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Expresso

Manuel Ennes Ferreira

O contra-ataque

A banca portuguesa está ao rubro! Na verdade, não é bem ao rubro, é mais para o cor-de-rosa, que é para onde cai o BCP. Há umas crónicas atrás discorri sobre as relações BCP e BPI no mercado de Angola. O 'combate muda de campo' chamei-lhe. Faltou acrescentar-lhe, Parte I. É que de então para cá soube-se para qual dos lados caíam os principais accionistas. O BPI apoiará Jardim Gonçalves (JG). Não faço a mínima ideia das diversas, sublinhe-se diversas, razões que fundamentam aquela opção. Nem me interessam particularmente. Não sou parte interessada, naturalmente. Mas já que trabalho sobre a temática das relações económicas entre Portugal e os países africanos lusófonos, não posso deixar de tentar reflectir sobre factos que me parecem poder vir a ter algumas implicações. Entramos então na Parte II da crónica atrás referida. Nesta, dizia que a entrada da Sonangol com 3% no BCP e um 'acordo' que Paulo Teixeira Pinto (PTP) teria congeminado com a empresa angolana para 'dividirem' a meias o Millennium Angola poderia, no futuro, dar-lhe um importante respaldo para ali penetrar em força. Além de se poder vir a assistir a uma OPA sobre o Banco de Fomento de Angola (do BPI) na Bolsa de Valores de Angola. Tudo futurologia. Sabe-se quão irritado ficou JG com PTP por este não ter dado a conhecer internamente tal 'acordo de cavalheiros'. Poderia ter apenas ficado ofendido. Contudo, das entrevistas que deu, não parece que esteja assim tanto pelos ajustes. Ora o apoio do BPI a JG, caso este vença a luta interna, pode ter também uma razão angolana. É que deste modo, o avanço para aquele país pode não ter os contornos que PTP desenhava. O que tem a sua graça, convenhamos. O principal rival, qual cavalo de Tróia, a usar inteligentemente as armas que detém. A ser assim, pode representar um alívio para o BPI. Pelo menos momentaneamente. É que o sistema financeiro angolano está, de há uns tempos para cá, a mexer e muito. É um sector promissor e tentador. Eu diria até, que se cuidem os dois...

Professor do ISEG e "think tank" Grupo África-IPRI

Manuel Ennes Ferreira