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João Vieira Pereira

A longa lista de culpados

João Vieira Pereira (www.expresso.pt)

As crises normalmente não têm rosto. E quando explodimos e temos de chamar uns quantos nomes a alguém não sabemos a quem. Esta não é diferente. Claro que as agências de rating ou os 'especuladores' dão jeito como muleta política, mas ao comum do cidadão estes não dizem nada. E de facto não devem dizer. Não são eles que fizeram a cama onde nos deitamos hoje. Assim aqui fica uma análise simples quando quiser escolher um alvo.

Por ordem de contributo na criação da actual situação de descontrolo da despesa do Estado (do pior para o menos mau). De acordo com a média de crescimento da despesa em percentagem do PIB e ajustada do ciclo económico.

Ministro das Finanças

Miguel Beleza

Braga de Macedo

Teixeira dos Santos

Manuela Ferreira Leite

Pina Moura

Miguel Cadilhe

Primeiro-ministro

José Sócrates

Cavaco Silva

Durão Barroso (Santana Lopes)

António Guterres

Também temos os bons, aqueles que mais contribuíram para a redução de despesa (do melhor para o aceitável):

Ministro das Finanças

Eduardo Catroga

Ernâni Lopes

Sousa Franco

Primeiro-ministro

Mário Soares

Claro que os números desta análise, que pode ver na página 6 do primeiro caderno, não entram em linha de conta com muita despesa que foi contratada mas que apenas começou a ser paga anos depois. Se fosse tida em conta essa variável, seriam precisos fazer alguns ajustamentos.

Mas como águas passadas não movem moinhos o importante agora é olhar para a frente e estar preparado para a terrível guerra da credibilidade que tem de ser travada. Chegou aquela altura em que se separam os políticos dos homens de Estado.

Para já a resposta de Sócrates e de Passos Coelho foi a adequada, mas duvido que seja suficiente. Para grandes males grandes remédios e depois de um orçamento mariquinhas e de um PEC envergonhado os mercados esperavam medidas emblemáticas. E não de um - vamos estudar e depois logo se vê. É que foi a política do vamos ver que nos trouxe até aqui.

Texto publicado na edição do Expresso de 1 de Maio de 2010