Siga-nos

Perfil

Expresso

João Vieira Pereira

9 regras para o Estado (e você) poupar

João Vieira Pereira (www.expresso.pt)

Uma dúvida essencial subsiste no plano de cortes anunciado pelo Estado: estamos perante uma lista de remendos ou de cortes estruturais?

A resposta não é fácil. A primeira lista não passava de intenções escritas à pressa para mostrar trabalho, desde então o Governo tem anunciado mais medidas que mostram que cada Ministério está finalmente a fazer, a título excepcional, aquilo que deveria ser regra na gestão dos dinheiros públicos. A maneira como o Estado encara esta gestão tem que mudar e aproximar-se das normas que cada família deve seguir, todos os meses, na gestão do seu próprio orçamento - esperar o melhor e estar preparado para o pior.

As minhas nove sugestões de boas práticas:

1. Nunca gastar mais do que se ganha;

2. Não comprar o que não se precisa;

3. Poupar 10% do rendimento mensal;

4. Comparar preços e alternativas;

5. Saber onde se gasta o dinheiro;

6. Ter sempre preparada uma lista de coisas onde se pode cortar;

7. Utilizar efectivamente a lista quando tudo começa a correr mal;

8. Utilizar o crédito só para investimentos essenciais e não para se viver na ilusão de que se é rico;

9. Não gastar dinheiro naquilo que se pode fazer sozinho.

Explique lá sr. ministro

"Qualquer que seja a titularidade da PT há que salvaguardar a presença (em Portugal) de uma empresa com estas características, forte e inovadora e influente no desenvolvimento do país".

A declaração de Teixeira dos Santos feita em Nova Iorque usa os argumentos de quem sempre defendeu que no mercado empresarial é irrelevante quem é o dono do capital.

De duas uma, ou o ministro cometeu um erro condicionado pelo ambiente liberal de Wall Street, ou acabou de abrir as portas da PT à Telefónica.

O sucesso de uma eventual OPA sobre a PT está em muito nas mãos do Estado através da chamada golden share e das acções detidas pela Caixa. Mas é estranho que Teixeira dos Santos não tenha sido mais directo a opor-se a esta intenção. Em termos políticos uma operação destas nunca seria lançada sem que o Governo fosse consultado, o que agrava ainda a estranheza da posição assumida. Explique lá, senhor ministro...

Texto publicado na edição do Expresso de 29 de Maio de 2010