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Expresso

João Carlos Espada

Férias europeias

O Futuro da Europa: Reforma ou Declínio' (Edições 70, 2007) é um excelente livrinho para acompanhar umas férias europeias. Os autores – Alberto Alesina e Francesco Giavazzi – são dois italianos com profundas ligações aos Estados Unidos: Alesina é professor de Economia Política na Universidade de Harvard, e Giavazzi é professor de Economia na Universidade Bocconi de Milão, bem como professor visitante no MIT. Isto permite-lhes lançar um olhar comparativo extremamente refrescante sobre a Europa e a América.

Alesina e Giavazzi avisam logo de início que não pretendem que a Europa copie os Estados Unidos da América. Estes estão longe de ser perfeitos e têm problemas muito graves. Como exemplo, os autores citam o sistema de saúde, muito dispendioso e deixando muita gente sem cobertura, e a forte correlação entre pobreza e raça. Nestes e noutros domínios, a América tem muito que aprender com a Europa.

Mas isso não impede que a Europa enfrente problemas ainda mais sérios dos que os EUA. "Sem reformas sérias, profundas e extensas", escrevem Alesina e Giavazzi, "a Europa entrará inexoravelmente em declínio, tanto em termos económicos como políticos. Sem mudanças profundas, no espaço de 20 ou 30 anos a quota-parte da Europa na economia mundial será significativamente menor do que é hoje; e, talvez ainda mais importante, a sua influência política será muito mais diminuta".

Um dos indicadores deste possível declínio reside na evolução do PIB per capita europeu em comparação com o dos EUA. A seguir à II Guerra, aquele era cerca de 42 por cento do americano. Nos trinta anos após a guerra, o PIB per capita europeu subiu para 80 por cento do dos EUA. Mas, desde finais da década de 1980, a Europa perdeu terreno. Actualmente, o PIB per capita europeu é cerca de 70 por cento do dos EUA, a mesma posição que a Europa ocupava em finais dos anos 1970.

Perante esta ameaça de declínio, os autores sustentam que a Europa não precisa de mais dinheiro público numa miríade de projectos. Precisa de reformas que criem incentivos e que façam as pessoas querer trabalhar melhor e mais tempo, correr riscos e inovar. A Europa precisa de mais competição. As universidades europeias precisam de mais incentivos ao mercado e não de mais dinheiro público. As empresas precisam de impostos mais baixos e de mercados com menor regulação laboral, menos subsídios e menor protecção contra a entrada de novos competidores.

Em suma, a Europa precisa de entender que as pessoas respondem aos incentivos e que os mercados funcionam pelo menos melhor do que qualquer outro mecanismo.

João Carlos Espada