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Wanda Ferragamo (1921-2018)

Wanda Miletti Ferragamo, que morreu na sua mansão de Fiesole, perto de Florença, na sexta-feira, 19 de Outubro, e sobre quem os quatro filhos e uma filha ainda vivos, Leonardo, Massimo, Ferrucio e Giovanna — duas filhas morreram antes dela, em 1998, Fiamma que sucedera ao pai no desenho de sapatos e, em Abril deste ano, Fulvia que, com a expansão da firma, se ocupara dos acessórios em seda — fizeram comunicado interno no qual louvavam pessoa extraordinária, cujos “ensinamentos preciosos e memória vão ser para todos nós um exemplo de rectidão e de grande paixão pela vida”, sucedera ao marido, 22 anos mais velho quando este morrera de cancro do fígado aos 60, tinha o filho mais novo dois e ela, dona de casa sem nenhum saber de experiência feito na arte de manufacturar sapatos de senhora e de os vender, saber esse que levara Salvatore Ferragamo, filho de camponeses pobres, emigrando para Boston e depois Hollywood, onde fazia botas de cowboy e sandálias para superproduções sobre temas bíblicos e clássicos de Cecil B. de Mille tão bonitas e tão cómodas que estrelas de cinema passaram a encomendar-lhe sapatos para uso privado e a vir a Florença depois de ele ter voltado para Itália, recuperado da crise de 1929, sobrevivido à guerra, ajudando nova geração de clientela (Marilyn Monroe, dizia-se, levava trinta pares de cada vez) a consolidar-lhe fama do melhor sapateiro do mundo (não sapateiro remendão, mas sapateiro fazedor de sapatos) e decidindo sua viúva, mãe de filhos e filhas e dona de casas cada vez maiores, que nunca antes estivera metida nos negócios dele, a tomar tudo em mão, fortalecida pela relação muito chegada (fusional, diriam alguns agora) que tivera com o marido e a deixara cheia de informação e de à-vontade — e também por capacidade nunca antes experimentada de tomar decisões certas nos momentos certos e de gerir com mão de ferro.

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