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Ana González (1925-2018)

Ana González de Recabarren, que morreu a 26 de Outubro, no hospital de San José, em Santiago do Chile, onde de alguns anos a esta parte fora frequentemente internada devido a insuficiência respiratória e a quem muitas vezes tinham chamado a Passionária Chilena, devido ao seu trabalho permanente e incansável para, até ao fim do regime do general Pinochet — que em 1973 derrubara num golpe militar o Governo democraticamente eleito de Salvador Allende, havendo este preferido suicidar-se a deixar-se prender — mobilizar oposição ao regime dentro e fora do país bem como procurar conhecer destino de pessoas desaparecidas e, depois do fim do regime em 1990, passando a concentrar-se nessa busca que incluía a de seu marido, de dois dos seus filhos e da mulher grávida de um destes, sumidos em Abril de 1976, três anos depois de Pinochet ter tomado o poder, desaparecendo primeiro os dois filhos e a nora, saídos da tipografia onde trabalhavam e não chegando a casa (alguém diria depois ter visto soldados meterem-nos numa camioneta, batendo no ventre da grávida com a culatra de uma metralhadora e abandonando na rua o petiz de dois anos e meio que, chorando, acabaria por dar com o caminho de casa) e desaparecendo no dia seguinte de manhã o marido que saíra à procura deles e tão pouco voltara a dar sinal dele. Ela ficara em casa a tomar conta do neto.

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