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Marceline Loridan-Ivens (1918-2018)

Marceline Loridan-Ivens, de solteira Rozemberg, que morreu no seu duplex de Saint-Germain-des-Prés, Paris, de complicações de mal cardíaco na passada terça-feira, dia 18 de Setembro, foi cineasta notável — actriz e realizadora — lançada nessa via a convite do sociólogo Edgar Morin, entrando pela mão dele em “Chronique d’un été” (Crónica de Um Verão), 1961, filme de Jean Rouch e Morin em que ela perguntava a pessoas cruzadas ao acaso em ruas de Paris se elas eram felizes e a seguir falava do campo de concentração onde estivera presa — foi a altura do cinéma verité — e gente houve que ficou fascinada ao ver num ecrã de cinema aquela mulher intensa, com muitos anos de Rive Gauche, de colaboração com escritores e filósofos, de ajuda à frente de libertação argelina, de passagem breve e desiludida pelo partido comunista francês, de amores, muitos amores — “Je ne crois pas à la fidélité” — desde que, por via de Bergen-Belsen na Alemanha e Theresienstadt, perto de Praga, onde tropas russas a libertaram, deixara Auschwitz para onde fora levada aos 15 anos com o pai em 1944 (no mesmo comboio de Simone Jacob, depois Veil; ficaram amigas para a vida) denunciados, descobriu depois da guerra, por camponês vizinho que costumava vir apanhar avelãs caídas no parque do pequeno castelo em zona livre que os Rozemberg, fugidos da Polónia, tinham comprado no começo da Segunda Guerra Mundial.

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