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Rita Borsellino

Rita Borsellino, que morreu de cancro na manhã de quarta-feira, dia 31 do passado mês de Agosto, no Hospital Cívico de Palermo, onde estava internada há algum tempo era uma senhora siciliana farmacêutica, filha, neta e bisneta de farmacêuticos, licenciada nessa arte ou ciência pela universidade local, viúva e mãe de duas filhas e de um filho, católica apostólica romana praticante (como muitas e muitos compatriotas seus, particularmente devota do Padre Pio), de grande bondade que todos reconheciam e por tudo isto lembrada na hora da sua morte por parentes e vizinhos — mas lembrada também por muito mais gente na Itália e fora dela porque o assassínio do seu irmão juiz, Paolo, em 1992 pela Máfia, com bomba comandada à distância no carro em que ia chegar de visita a casa da mãe de ambos em Palermo e matou também cinco polícias, um deles mulher, acordou nela vulcão de empenhamento cívico que desde esse dia passou a nortear a sua vida sem tréguas nem descansos, a levou por todo o país a reuniões em escolas e em praças no que foi chamada a “caravana anti-Máfia”, falando ao coração das pessoas com magnetismo e convicção absolutos (sem ‘ses’ e sem ‘mas’, dizia ela), ligando-se a ONG já existente, Libera, de que era presidente honorária quando morreu, não desistindo nunca e conseguindo a pouco e pouco vitórias que foram contribuindo para o enfraquecimento de Cosa Nostra e outras associações de malfeitores — embora com consciência aguda da dificuldade da sua cruzada: “Estou zangada e menos optimista do que há 17 anos, quando abateram o meu irmão”, declarara em 2009.

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