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Claude Lanzmann

1925-2018 Foi durante muito tempo director da revista político- -filosófica “Les Temps Modernes”, fundada por Jean-Paul Sartre

Claude Lanzmann que morreu em Paris a 5 deste mês, dia seguinte à estreia do seu último filme — “Les Quatre Soeurs” (As Quatro Irmãs) — feito de sobejos de 350 horas de material filmado por ele durante 11 anos de preparação do filme de 9h30, “Shoah” que, em 1985, o transformara, aos olhos do mundo, de intelectual de esquerda da Rive Gauche, ateu, judeu de origem, grande, forte, vibrante, polémico, generoso, colérico, declamador de léguas de verso e prosa — Stendhal, Victor Hugo, tantos mais —, homme à femmes — o único dos vários amantes, incluindo Jean-Paul Sarte, com quem Simone de Beauvoir consentira coabitar durante sete anos —, casado três vezes, gastrónomo, cozinheiro, mestre em viandes rouges (“os talhantes exercem o mais nobre dos ofícios e não há homens menos bárbaros”), muito tempo director da revista político-filosófica “Les Temps Modernes”, fundada por Sartre e sucedendo ele na direcção a Beauvoir, workaholic infatigável, autor de muitos artigos em jornais e revistas não-filosóficos nem políticos, nadador e mergulhador, força da natureza, que o filme “Shoah” transformara, dizia eu, por um lado num dos maiores cineastas de sempre e, por outro, entre os artistas, na testemunha mais próxima da morte e do mal, ou pelo menos, dizia ele, “naquele que por mais perto lá andou”.

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