Siga-nos

Perfil

Expresso

Luís Freitas Lobo

Taça: ser "rei por um dia"

Cinfães-FC Porto, choque de galáxias. Leixões-Benfica: quem pode decidir o jogo?

Chamam-lhe a "festa da Taça". O campeão nacional contra o resistente da III Divisão. O FC Porto visita Cinfães e os extremos futebolísticos tocam-se. É, nessa dimensão metafísica, mais do que um simples jogo de futebol.



A prova está cheia de memórias destes duelos impossíveis. Hoje como há 70 anos. É quase como uma viagem ao passado, no qual só falta mesmo que estes jogos se disputem em 'pelados' de terra batida com poeira no ar. É o mundo dos 'cabeças gordas' do nosso futebol, nome que recorda uma equipa inesquecível que das profundezas do anonimato fez história na Taça nos anos 80 ao eliminar equipas de outra dimensão.



São cada vez mais raros esses casos. Por tudo isto, pensando no espírito da "verdadeira Taça" o Cinfães-FC Porto é o grande jogo desta eliminatória.



Pensando nos jogos pelo lado mais competitivo, o Leixões-Benfica coloca frente-a-frente os dois primeiros classificados do campeonato. Afirmação estranha se pensarmos numa dessas equipas e o seu lugar mais natural. Mas o futebol não existe para obedecer à lógica. Ainda bem. O Leixões perdeu em Guimarães mas a equipa, porque os 'amarelos' só vão ter efeito na Liga, continua 'completa'.



Os intérpretes são os mesmos mas o jogo será, desde o inicio, até na sua abordagem táctica por parte dos treinadores, muito diferente do disputado no campeonato. Não existe a matemático dos pontos, existe apenas o objectivo de ganhar. Mesmo que nos penáltis. Quique e Zé Mota sabem disso. Por isso, acredito num jogo menos 'cerrado' tacticamente.



No lado 'encarnado' o desejo de voltar a ver Katsouranis mais solto no meio-campo. Não é por nenhuma razão especial. É apenas porque gosto de ver bom futebol. E com o grego nessa posição (e dinâmica) o Benfica é logo outro.



No lado de Matosinhos, reparem melhor num jogador ainda meio 'escondido', apesar de já andar por aqui há muitos anos. É Hugo Morais. Tem um dos melhores pé-esquerdos do nosso campeonato. Equilibra bem a meio-campo, à frente de China e Roberto Souza, mas depois causa desequilíbrios quando descai para a esquerda e tem uma categoria de cruzamento tenso que mete a bola na área com muito perigo.



Aposto nestes dois jogadores, suas dinâmicas e execuções técnico-tácticas para marcar o jogo. Veremos.



Duelos numa prova que é, na essência, uma fuga à lógica do futebol. A oportunidade única de ser 'rei por um dia'. Como se sente Cinfães, mesmo antes de jogar. É só por estes duelos que a 'Taça' ainda continua a fazer sentido existir.