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Expresso

Luís Freitas Lobo

Benfica: os sinais da Madeira

Katsouranis e Rubem Amorim. Mostra-me um bom meio-campo e mostrar-te-ei uma boa equipa.

À 11ª jornada, um ressalto na área, a bola meio perdida, um toque subtil, a baliza desprotegida e...golo! A poucos minutos do fim, o sonho do Leixões esfumou-se. Cajuda suspirou e saltou. O seu Vitória volta a respirar. Zé Mota escureceu o olhar. Mas não tem razões para isso. O bom futebol do seu onze continua de pé. Perdeu como antes ganhara. Agarrado às suas convicções - "boas ideias de futebol" - e maior 'vitória' no futebol não existe para uma equipa.

Aproveitando esta bola 'perdida' de Guimarães, o Benfica saltou para o primeiro lugar, uma 'eternidade' depois da última vez que por lá passara. A goleada com que passeou na Madeira, com seis golos bem construídos, revelou o melhor lado de uma equipa que, em busca de consistência, cresce à medida que o seu meio-campo cresce no jogo em termos de controlo da bola na transição defesa-ataque.

Por isso, embora as primeiras páginas se encham com as fotos de Suazo e seus golos, penso que as grandes exibições - e os melhores jogadores - nasceram dos pés e da cabeça de dois médios que, finalmente, puderam fazer em campo mais vezes aquelas coisas que fazem bem e foram menos vezes obrigados a exporem-se às que fazem menos bem: Katsouranis e Rubem Amorim.

Na dinâmica do grego, maior liberdade para sair do 'casulo' em que se tornou o espaço do médio-centro defensivo dentro do 4x4x2 clássico preferencial de Quique. Porque quando joga Yebda, é Katsouranis que fica mais 'preso', sendo o francês quem sai mais para o jogo. Basta pensar nas características dos dois jogadores para se perceber como isso é um 'contra-senso'.

Tendo em conta que Yebda é um recuperador que pressiona mais do que joga, faria mais sentido ser antes ele a ficar mais 'preso' na posição, ou limitado nesses espaços, passando a ser Katsouranis, com maior qualidade técnica para conduzir a bola e passar na segunda linha do meio-campo, a beneficiar de maior liberdade para avançar, saindo para o jogo com vocação construtiva. Foi esse o melhor Benfica na Madeira, então com Bynia a trinco.

Quando entrou Yebda, tudo voltou à forma 'estranha'. Colocando Katsouranis mais 'preso' no lado 'escuro' do jogo, o espaço do trinco. O seu lugar é no oposto. No lado 'claro'. Com bola e a sair com ela até às imediações da área adversária.

Rubem Amorim beneficiou um pouco com as circunstâncias do jogo. O Marítimo ficou com menos um jogador e assim deixou de ter largura no seu jogo. Dessa forma, Ruben Amorim deixou de ter um adversário natural na sua posição para vigiar e pôde soltar-se em movimentos interiores, pegando na bola em zonas mais centrais.

É o espaço onde se solta melhor a sua cultura de posse. É um jogador, aliás, que sai melhor da zona de pressão (entenda-se ter adversários em 'cima') do que Katsouranis e sai a jogar com a bola dominada 'queimando' linhas. Por isso, vejo Rubem Amorim mais como um jogador de faixa central.

O resto foram os golos de Suazo e uma equipa do Marítimo mal colocada no terreno, com a defesa demasiado 'subida', dando muitos espaços nas suas costas. Foi a face decisiva do jogo junto à baliza madeirense. Antes dessa zona de definição existiu, porém, a zona de construção, onde Ruben Amorim e Katsouranis foram a melhor notícia para Quique.

É importante que o treinador do Benfica tenha reparado nisso porque 'mostra-me um bom meio-campo, mostrar-te-ei uma boa equipa'. No Benfica isto tem nome e duas pernas: 'mostra-me Katsouranis e mostro-te um bom médio!'