Siga-nos

Perfil

Expresso

Luís Freitas Lobo

Benfica. E agora? Como fazer a equipa crescer?

A questão: onde deve Quique mexer para fazer a equipa crescer e atacar o resto da época?

Ignorando a quimera dos oito golos na UEFA, Quique disse claramente ser um treinador que vive com os pés na relva. O Benfica abandona o cenário internacional com o ego escurecido, mas está em primeiro lugar no campeonato. Esta é a grande realidade. O próximo passo é manter essa liderança que já não passava pela Luz há mais de três anos. O empate em casa com o Nacional (0-0) impediu-o de fugir aos outros candidatos. Manteve, porém, o comando, mas, descontando a polémica do golo invalidado no último minuto, a preocupação aumentou no mundo encarnado, pois durante todo o jogo faltaram boas ideias à equipa.

Desta forma, chegados a este momento da época, a questão que Quique deve então colocar é a de saber em que pontos deve trabalhar mais (táctica e posições) para fazer a equipa crescer? Na capacidade para responder a esta questão pode estar o segredo para o onze se manter no comando até final do campeonato.

Sabendo que não vai abdicar do seu 4x4x2 clássico (passando por algumas variantes em losango), a questão situa-se na ligação entre-sectores no decorrer do processo de construção de jogo na transição defesa-ataque. Depois, quando a bola entra já no momento de organização ofensiva, com Suazo a explodir ou a bola ao jeito do pé esquerdo de Cardozo, as acelerações de Reyes ou o regresso de Di Maria, enquanto Nuno Gomes gere desmarcações e passes quando recua, a equipa está nos espaços onde respira melhor. O problema mora nas costas deste momento, sobretudo na ocupação do corredor central. Com centrais sem qualidade técnica para sair a jogar, a importância de ter um médio centro dentro do duplo-pivô defensivo que saiba sair a jogar é fundamental. Yebda e Bynia pressionam, Katsouranis é o mais culto a sair, mas quase sempre fica ele "preso" como âncora atrás, servindo para gerir equilíbrios e colmatar a lacuna técnica dos centrais na hora do tal primeiro passe, mesmo que ele seja de primeira instância. Poderia então ser este o local ideal para soltar a boa condução de bola de Ruben Amorim, deslocando da ala direita, onde Quique o coloca muitas vezes, não para dar profundidade, mas para dar equilíbrio táctico à equipa, sobretudo no momento defensivo sem bola. Ruben Amorim é, no entanto, mais jogador do que isso, e na resposta à questão onde o Benfica pode crescer, poderá estar a mudança de posição de Ruben Amorim, da ala para o centro.

Outro processo de crescimento, passaria, claro, pelo renascimento de Aimar. Com ele, o organizador criativo que é, ora um n.º 10, ora um segundo avançado, o onze teria um "enganche" natural, capaz de criar desequilíbrios na tal zona entrelinhas atrás os avançados, mas essa já é uma questão mais complexa e envolve decifrar qual o verdadeiro momento de Aimar do ponto de vista físico. Tudo isto são equações para Quique em busca de fazer crescer um líder que, em cada jogo, provoca sensações tão diferentes. Ora de entusiasmo, ora de desconfiança. Com a bola à frente de Suazo, porém, tudo parece possível mas os adversários já percebem cada vez melhor como jogar contra ele e encostam-se mais atrás (como fez o Leixões) para lhe retirar esse indispensável espaço de explosão.