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Expresso

Daniel Oliveira

Sempre a ganhar

A falência do mais pequeno banco nacional não seria um risco para o sistema financeiro. O próprio ministro das Finanças o disse no dia 24 de Novembro. E os restantes bancos privados concordaram ao recusar-se a avançar para salvar o BPP. Avançam agora, com a garantia do Estado, que impõe assim um novo sistema económico: o capitalismo sem risco. O Banco Privado tem dois balcões e três mil clientes. Representa 0,2% do sistema bancário. Faz apenas uma coisa: pega no dinheiro de pessoas que não sabem o que lhe fazer e joga-o no 'casino'. Estes abonados cidadãos preferiram o risco do jogo ao risco da produção. Estão no seu direito. Mas nada, a não ser um absoluto descaramento, pode obrigar o contribuinte a servir de fiador de meia dúzia de fortunas.

Sempre gostava de saber o que ditou, além de uma súbita e comovente pulsão solidária do Governo, este gesto de legalidade duvidosa. Razões eleitorais não foram seguramente. Razões financeiras também não. Fica apenas a suspeita de sempre: que o nosso Estado, os nossos impostos e a nossa democracia são, como foram quase sempre, reféns de meia dúzia de pessoas. Elas agradecem? Não. Ainda há umas semanas os bancos, os que têm depositantes modestos com empréstimos modestos para pagar as suas não menos modestas casas, informaram que para cobrir os encargos com as garantias do Estado vão aumentar o "spread" aos seus clientes. Ou seja, o cidadão devedor pagará o que o cidadão contribuinte fez pela banca. Há vidas fáceis e vidas difíceis. Alguns portugueses, quando ganham, recebem os lucros da vitória. Os outros, quando eles perdem, pagam-lhes a factura.

É a sério

No último Congresso do PCP, Jerónimo de Sousa consolidou o seu poder com a continuação do lento mas seguro processo de depuração na direcção do Partido. E foram aprovadas umas teses que atiram para o lixo quase tudo o que foi dito e escrito no XIII Congresso, pouco depois da queda do Muro de Berlim. Fosse outro o partido e haveria debate aceso nos jornais e nas televisões. Mas neste congresso o impressionismo antropológico ocupou o lugar do jornalismo: onde dormiram os militantes, quem desmontou as mesas dos delegados e, para que houvesse alguma política, as picardias com o resto da esquerda. Não devem os comunistas confundir a bonomia da imprensa com simpatia. Os sentimentos que, durante anos, levaram a comunicação social a tratar com hostilidade o PCP são os mesmos que agora garantem esta condescendência apolítica. Agora, como antes, um dos partidos fundadores da nossa democracia é tratado como um pária. O ódio do passado e a superficialidade do presente são apenas as duas faces da mesma moeda.

'SHOTS'

Só temos cinco milhões. Os partidos estão preocupados por terem de arranjar 20 mil mulheres para as suas listas eleitorais.

Sobra a Sócrates a amizade dos banqueiros. 90% de professores em greve, guerra com Cavaco, Manuel Alegre cada vez mais solto.

Alegria no trabalho. Segundo o 'Correio da Manhã', o avião do BPN serviu para um quadro do banco transportar prostitutas de Leste.