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Expresso

Daniel Oliveira

Os malucos do riso

É impossível fazer uma caricatura de Luís Filipe Menezes. Nunca lhe fará justiça. A sua última grande proposta política: que a 'Quadratura do Círculo' passe a ter cinco e não apenas três comentadores. Entraria António José Seguro, em representação dos críticos, para compensar Pacheco. E um militante do PSD "para fazer a defesa ortodoxa" do partido. Assim como faz Jorge Coelho. Na RTP, se "à terça-feira fala o porta-voz do PS, António Vitorino", então "à quarta-feira deveria falar o secretário-geral do PSD". Porque Marcelo Rebelo de Sousa "tem uma posição independente no seu juízo", à segunda-feira deveria falar Manuel Alegre.

Gosto do espírito. Apenas alguns acertos. Como se pode deixar a apresentação do 'Preço Certo' a Fernando Mendes e desperdiçar o talento de Ribau Esteves? Quem quer ver Fátima Campos Ferreira no 'Prós e Contras' se podia ter Zita Seabra? Como é possível que não se esteja a aproveitar a saída dos Gatos Fedorentos da RTP para subsistir os já um pouco batidos Ricardo Araújo Pereira e José Diogo Quintela pela frescura humorística de Santana Lopes e Luís Filipe Menezes?

É para mim cada vez mais evidente que Santana era um "bluff": não chega aos calcanhares de Menezes. É de homens destes que o país precisa. Quando tudo está difícil, o melhor é rir. Menezes ao poder, já! Em directo e em horário nobre.

Hugo loves Noami

Longe vão os tempos em que os modelos preferiam os futebolistas e os actores. Hoje, o que está a dar é namorar com políticos. Depois de se ter empertigado com uma jornalista do '60 minutes' que lhe perguntara pelo seu divórcio, Sarkozy mostrou que não é tanto a sua vida privada que quer salvaguardar. Apenas nos quer poupar a más notícias. A sua nova grande proposta política chama-se Carla Bruni e ele fez disso alarde. Mas ainda mais longe vão os tempos em que os mitos revolucionários dependiam de feitos militares, convicções políticas e coragem. Chávez não andou na selva e não é fácil fazer dele um ícone guevarista. Como quem não tem cão caça com gato, espalhou-se pela Venezuela o boato de que o general conquistou Naomi Campbell ainda antes de conquistar o socialismo.

Num mundo dominado pela imprensa cor-de-rosa e cada vez menos dado a entusiasmos políticos, os estadistas precisam de apimentar as suas vidas. E o povo gosta de pensar que os seus líderes são capazes de coisas extraordinárias. Resgatá-lo da pobreza? Levá-lo a um futuro grandioso? Mostrar determinação, inteligência e ousadia? Sim, como complemento não é mau. Mas quem quer tão insonsos desígnios quando pode ter o maior de todos os feitos: sacar uma Campbell ou uma Bruni. A política será tão mais interessante quanto menos política for. Basta olhar para as eleições nos EUA: o Império desmorona-se e os candidatos ganham votos quando deixam cair uma lágrima.

'SHOTS'

Quem parte e reparte... Esta semana, PS e PSD fizeram um golpe de Estado nas autarquias para impor a sua vontade à vontade dos eleitores.

Foi você que pediu menos Estado? Numa votação coreana, os accionistas do BCP escolheram ex-gestores públicos e quadros do PS para salvar o banco.

Daniel Oliveira