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Ditadura 2.0

Ainda os votos estavam a ser contados quando Ana Caroline Campagnolo, eleita deputada estadual pelo partido de Bolsonaro em Santa Catarina, deixou um apelo nas redes sociais: para os alunos universitários filmarem os professores que, na segunda-feira, não conseguissem “disfarçar a sua ira” e fizessem “queixas político-partidárias em virtude da vitória do Presidente Bolsonaro”. E que enviassem a prova para o número de WhatsApp que ali deixava. “Garantimos o anonimato do denunciante.” Quem acha que Bolsonaro, apesar dos seus “exageros”, não põe em perigo a democracia não percebe que, ainda antes de tomar posse, ele já está a destruir a democracia brasileira. Não é preciso desacreditar a Justiça, basta convidar para ministro o juiz que prendeu Lula. E como julgam que se comportará a polícia com um Presidente que defende uma lei que impede que um agente seja investigado por matar alguém num confronto? Não é preciso a máquina do Estado para espancar homossexuais, atacar as comunidades indígenas, impor a religião em todos os domínios da vida pública ou intimidar opositores. Basta a cumplicidade da cúpula do Estado para que as bestas fiquem à solta. O apelo desta deputada, nova heroína do “politicamente boçal” brasileiro, é um retrato do que será a ditadura 2.0. Basta um exército de fanáticos em rede e um poder político que lhes dê cobertura. Bolsonaro representa um novo tipo de fascismo viral. É mais perigoso do que os antigos ditadores. Porque tem instrumentos que eles nunca tiveram.

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