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Expresso

Daniel Bessa

Questões de Comunicação

Não sei o que se passou em Bruxelas entre os dias 7 e 9 de Maio. O primeiro-ministro Português diz-nos que terá sido decidido "salvar o euro", desígnio tornado necessário porque, na(s) última(s) semana(s), "o mundo mudou".

O mundo está sempre a mudar. Aforradores e investidores confiam agora menos no euro. Tratam, por isso, de o vender, vendendo também, entretanto, os activos em euros. Desvalorizam um e outros e fazem subir a taxa de juro dos empréstimos em euros. Acontece: o euro já desceu, já subiu, e agora volta a descer.

Os investidores confiam agora menos no euro, em si, por dúvidas relacionadas com o comportamento do BCE, com o sistema de governo e com a própria economia da UE. Razões de peso, e alguma emoção.

Gostam também menos do euro porque alguns activos em euros lhes parecem, agora, demasiado arriscados. Entre eles a dívida pública portuguesa - como se vê, desde há algum tempo, pelo prémio de risco específico que passaram a exigir-lhe. Decidiram, por isso, os líderes da União que Portugal teria de diminuir o seu défice público, dando um contributo para "salvar o euro" num contexto em que "o mundo mudou". Por mim, preferia que tivéssemos decidido o mesmo, em Lisboa, para "salvar Portugal", no contexto de uma crise de crédito em que "Portugal também tem de mudar".

Texto publicado na edição do Expresso de 22 de Maio de 2010