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Expresso

Daniel Bessa

Grandes riscos

A crise económica segue o seu curso, inexorável. É cada vez mais clara a sua gravidade. E, como se exige, para grandes males, grandes remédios: os Estados foram postos a gastar e as 'máquinas' de emissão pelos bancos centrais estão cada vez mais activas. Não se sabe como acabará, mas é cada vez mais claro que não acabará sem grandes mudanças.

Um dos preços mais elevados será provavelmente pago pelo dólar - pelo menos em relação às moedas asiáticas. O acumular de dívida pública e a emissão monetária prenunciam inflação - única forma de os Estados se desfazerem de parte das responsabilidades que estão a contrair (além das que já tinham contraído) e que parecem cada vez mais incapazes de solver, a menos que aceitem agravamentos impensáveis das cargas fiscais. É menos claro o futuro daqueles países, e daqueles Estados, que, sem moeda nem câmbio, não dispõem nem da desvalorização nem da inflação para fugirem aos credores.

A adopção pela Reserva Federal de uma taxa de juro nominal quase nula, por certo decidida com base na melhor informação, alerta-nos para o maior dos pesadelos: a possibilidade de a moeda (mesmo sendo muita) não circular, levando-nos à deflação e à queda continuada do PIB. Aguardemos.