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Expresso

Daniel Bessa

Desnecessário

No fim, como no princípio, não resisto a um comentário sobre a OPA.

O Estado português fez parte do grupo vencedor: como seria de esperar, votou contra a desblindagem dos estatutos.

Nada a objectar: usou um direito que lhe assistia. Admito, ainda sem reparo, que possa ter celebrado a vitória, em privado. Compreendo que, ainda na hora da vitória, se tenha mostrado discreto, em público: por pudor, por gestão da imagem, e até por uma questão política (ou não fosse, o tratamento a dar aos vencidos, uma das maiores questões políticas de todos os vencedores).

Só não percebo a preocupação de nos vir dizer que não teve nada que ver com o assunto. No que me diz respeito, senti-me um pouco incomodado pelo que me pareceu algum menosprezo pela capacidade de discernimento de quem, pesem embora as suas limitações, apesar de tudo, "vê, ouve e lê" (como dizia a canção, de saudosa memória). Teria sido mesmo necessário?

Não tenho que protestar, sequer que me mostrar indignado. Gostaria, se alguém puder ajudar-me, de compreender a necessidade desta menorização, sobretudo nas suas manifestações mais compulsivas.