Siga-nos

Perfil

Expresso

Joviana Benedito

Nikita

Vou apresentar a minha amiga Nikita, a ciberavó.

 

Nikita foi o apelido (nickname) que ela escolheu para a sua ciberidentidade no chat. Um dia, eu quis saber a razão do apelido. Simples, disse ela: Ni(c)k mais ita de Zezita.

 

Cibernavega. Cibersurfa. Ciberviaja. Ciberutiliza?

 

Lê e-textos, e-jornais, e e-books, escreve e-mails, recebe e envia e-cartões, pede e-documentos e e-ficheiros, consulta páginas do e-governo, visita e-museus, manda e-beijos, protege-se das e-esparrelas dando atenção à e-segurança. Tornou-se ciberdependente mas é cibercautelosa porque aprendeu ciberestratégias!

 

Entra nos chats, conversa com os ciberamigos e com os ciberfamiliares através do Messenger, procura amigos ou apenas ciberconversas no ICQ, liga o cibervídeo e o ciberáudio, utiliza o Skype e o VoipStunt, participa em clubes de ciberamizade e tem um ciberálbum que partilha com os amigos. Fez e continua a fazer ciberamigos. Também já se ciberapaixonou. Sim, teve um e-namorado. Viveu uma ciberfantasia levada por uma ciberatracção. Pouco tempo depois a constante ciberpresença do cibernamorado nos ciberserões deu lugar ao cibersumiço e a um terrível ciberdesgosto. Sentiu que as relações virtuais podem ser muito efémeras. Agora vive feliz com as infinitas ciberpossibilidades que as novas tecnologias lhe permitem. Partilha cibersaberes, cibersegredos, ouve ciberhistórias, usufrui de cibercontactos e não quer ser uma ciber- info - excluída. Acredita que o choque tecnológico vai encurtar o caminho da cibernetização da sociedade portuguesa. É uma ciberentusiasta.

 

Nikita também aprendeu parte da ciberlinguagem, tanto do internetês como do internautês. Percebe já as abreviações mas fica confusa quando os netos usam muitos emoticons nas conversações do Messenger.

 

Já viveu ciberaventuras, imprevistas umas lógicas outras. Contou-mas.

 

Uma vez o Carinhoso telefonou-lhe a convidá-la para almoçar. Ela estranhou o convite mas aceitou. Achava fantástico ter falado com um amigo que vivia na América, embora fosse português, e agora poder almoçar com ele em Lisboa. Foi ao restaurante. Nunca vira sequer uma foto dele. Seria verdade que tinha mais de setenta anos e que vivia na América?! Sentiu medo da situação mas atracção pelo desconhecido. Apresentou-lhe a Toupeirinha de Coimbra. Foi um almoço a três. Completamente inesperado para Nikita. Muita conversa sobre os chats, sobre os relacionamentos, sobre os encontros. Quando saíram do restaurante Nikita despediu-se e virou costas A Toupeirinha despediu-se dele e acompanhou Nikita. Ele ficou na porta do restaurante a chamar as duas.

 

Joviana Benedito

P
rofª. aposentada do Ensino Sec. e autora