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O ódio ao trabalho

Se lhe perguntarem se gosta do que faz é provável que responda sim. É provável que esteja a mentir. Muitos portugueses detestam o que fazem. Seja qual for o serviço que se contrate ou solicite em Portugal, percebe-se logo que as pessoas que o prestam estão contrariadas. Com exceções que confirmam a regra. Comecemos pelos funcionários públicos, cuja ladainha bombardeia as notícias o ano inteiro. Os funcionários públicos têm invariavelmente razões de queixa, apesar de terem direito a um sistema de proteções que falha no sector privado. Ou são mal pagos ou não foram aumentados ou querem ser aumentados ou exigem as reposições salariais ou exigem novas tabelas salariais. Invariavelmente, os funcionários públicos entram em greve ou ameaçam entrar em greve. Uma parte substancial da discussão da distribuição da riqueza assenta nos direitos e reivindicações dos funcionários públicos. Antes e depois do Orçamento, antes e depois de eleições, constituem uma ameaça a qualquer Governo, que sabe que parte da clientela eleitoral anda por ali, graças aos anos de contratações e de benesses. O sector privado, onde imperam a subcontratação, o recibo verde, a negação de regalias, a exploração da mão de obra, o estágio não remunerado e o despedimento aleatório, mais a pesada obrigação fiscal, ocupa o espaço público com um décimo da gritaria dos funcionários públicos.

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