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Amor de mãe

A tatuagem transcendeu as classes. Num mundo onde o controlo sobre a vida privada e o gosto é escasso, a tatuagem tornou-se sinal de rebelião e tendência dominante

A tatuagem era um segredo ou um traço de excêntricos e marinheiros tipo Querelle, de Genet, revisto por Rainer Werner Fassbinder. Para o resto da humanidade, a tatuagem a ocultar seria um memento realizado como um ato de loucura, composto pela certeza da eternidade. A tatuagem era indelével, morreria quando o corpo morresse. Uma marca, com uma história de degradação e expropriação da identidade, associada à tatuagem nazi no braço dos judeus dos guetos e dos campos de extermínio, convertendo-os em números. A tatuagem tinha tudo menos boa reputação. O graffiti tornou-se respeitável muito antes do tattoo, e começou a ser visto como arte da rua, street art, antes de a tatuagem ser considerada body art, arte do corpo. Em Portugal, uma sociedade repressiva e conformista associava a tatuagem a classe baixa e a soldados-rasos da guerra colonial com corações nos braços a dizer “Amor de mãe”. E, nunca, nunca, uma mulher poderia ter uma tatuagem, a não ser que pretendesse viver coberta. Muito menos a tatuada poderia casar e ter filhos, projeto feminino por excelência.

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