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Expresso

Nicolau Santos

Cinco casos em que a sabedoria do mocho não está presente

A autoridade baseia-se, antes de mais, no bom senso. E nos dias que correm há protagonistas que têm autoridade, mas estão a demonstrar falta de bom senso – e a total ausência da sabedoria do mocho.

Jardim Gonçalves

Aceitou o modelo dualista de governação do banco há dois anos. Um ano depois, resolve propor a sua alteração. Perante a tempestade, retira a proposta. Agora quer que tudo fique como está até Março de 2008. Em que ficamos? Era ou não urgente mudar o modelo de governação do banco? Ou afinal o modelo dualista pode funcionar? Tanto malabarismo e manobra táctica mina a autoridade de qualquer um. O mochoviveu muitos anos aqui. Mas agora anda longe.

Paulo Teixeira Pinto

Foi o defensor do modelo de governação em vigor e aparece, num primeiro momento, como vítima da mudança defendida por Jardim. Mas depois surge ele próprio a propor mudanças radicais no modelo de governação do banco, perdendo a coerência. Já disse que se demitia se tudo ficasse na mesma. Depois foi acrescentando condições para se ir embora. E já se viu que vai ficar. Aqui o mocho hesita, hesita, e não sabe onde poisar.

Joe Berardo

Os conservadores homens do dinheiro não gostam dele pelo seu estilo abrasivo que prejudica, por vezes, as justas posições que defende. Querer saber se houve gastos sumptuários por parte da administração do BCP, em particular de Jardim Gonçalves, é um direito que lhe é garantido pelos quase 6,5% que tem investidos no banco – e uma petição que todos os accionistas deveriam subscrever. Dizer que há fraude de colarinho branco já carece de confirmação. Umas vezes o mocho pousa na Metalgest, noutras procura novas paragens.

Abel Mateus

O regulador vai ser sujeito ao "acid test" da imparcialidade, depois de, durante a OPA sobre a PT, ter sido acusado de ser mais sensível aos argumentos da Sonaecom do que da empresa visada. Tem entre mãos a autorização da aquisição da Oni e da Tele2 pela Sonaecom, a compra da Carrefour pela Sonae Distribuição e a compra das operações de Braga, Leiria e Santarém pela PTM. E depois de recusar quatro ordens dos tribunais para entregar documentação pertencente à PT que foi levada no âmbito da rusga policial de 2004 pedida pela AdC, o regulador tem uma estreitíssima margem de manobra... Veremos se o mocho pousa na AdC.

Carlos Jereissati

O patrão da Telemar, uma das principais operadoras brasileiras de telemóveis (Oi), veio manifestar-se radicalmente contra a participação da PT numa grande empresa de comunicações, maioritariamente brasileira, a resultar da fusão da Telemar e da Brasil Telecom. Está no seu direito. Já é desnecessariamente grosseiro quando chama à PT um "travesti" luso-brasileiro, sem músculo financeiro para participar no projecto. E releva da maior miopia estratégica preferir sócios anglo-saxões, por causa do dinheiro, ou franceses, por causa do "charme", quando o que se pretende é a criação de um grande operador de telecomunicações de língua portuguesa, onde a PT seria minoritária. Jereissati devia saber o quão inovadora foi a PT quando entrou no Brasil, ao lançar o Baby. O mocho fugiu da Telemar a sete asas.

Nicolau Santos