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Comendador Marques de Correia - Cartas Abertas

Razões para acreditarmos que esta selecção é mesmo, e sem dúvida, a selecção de Portugal

Onde o nosso Comendador nos dá bastos argumentos que provam ser o onze futebolístico, o seu treinador e toda a parafernália que os cercam uma verdadeira mostra do nosso querido Portugal.

Comendador Marques de Correia (www.expresso.pt)

Há quem seja crente e quem seja céptico, mas de um modo geral todos queremos que ela ganhe - a selecção. Porquê? Que motivo nos leva a desejarmos que onze tipos aos pontapés à bola vençam jogos para que possamos agitar as bandeiras pátrias e gritar, até à rouquidão, Portugal! Portugal! Portugal! e - acaso ganhássemos o campeonato - encher as ruas do Terreiro do Paço ao Saldanha, numa manifestação que nem o Benfica, somado aos professores e à jornada de luta da CGTP, conseguia igualar?

A minha explicação é, como sempre, bastante simples e sumamente inteligente (digo eu, para o caso de ninguém se lembrar da palavra sumamente). Deve-se a um único facto este comportamento quase histérico com a selecção: ela representa todo o nosso país. Cada uma das personagens que a compõem tem uma equivalência óbvia naqueles que a pátria designou para altos cargos. Vejamos, pois, essa tabela de equivalências:

Carlos Queiroz - Cavaco Silva. Há quem diga que ele é muito bom, mas tirando umas coisas na década de 90 nunca mais fez nada que se registasse. E há ainda os que o odeiam, apesar de ele não ter, precisamente, feito nada que se registasse.

Cristiano Ronaldo - José Sócrates. Parece que é muito bem visto no estrangeiro, é especialista em reviengas e em não deixar cair a bola no chão, mas por Portugal ainda fez muito pouco ou nada, ao contrário de Eusébio. Pode ser que ainda venha a fazer, mas duvida-se...

Eduardo - Teixeira dos Santos. Ninguém o conhecia, ninguém percebe bem quem é ele, mas já nos tem safado de alguns apertos. Não é muito seguro, mas se calhar é o melhor que se arranja.

Ricardo Carvalho - Pedro Passos Coelho. Joga muito à defesa e é pouco sarrafeiro (o Ricardo). Se lhe pedem para avançar fica cheio de dúvidas. Para passar do meio-campo é preciso que a bola esteja segurinha lá à frente, como num canto ou num livre. Caso contrário, volta lá para trás à espera que a bola venha ter com ele.

Duda - Francisco Louçã. Joga pela esquerda, mas parece que não faz falta nenhuma, ou então é o único que há. A verdade é que quando se pensa numa selecção a sério ninguém se lembra dele.

Daniel Fernandes - Jerónimo de Sousa. Faz parte da selecção, mas se não fosse eu pôr aqui o nome dele ninguém dizia: "Então e o Daniel Fernandes?"

Simão Saborosa - Paulo Portas. É pequenino, tem jeito, mas já cá anda há tantos anos que toda a gente lhe conhece o jogo. O seu passado fazia-lhe augurar um futuro muito melhor.

Deco - Luís Amado. É discreto, mas funciona.

Raul Meireles - Augusto Santos Silva. Tem uma fama bastante pior do que o proveito que dela tira.

Liedson - Marcelo Rebelo de Sousa. Surge onde menos se espera, é capaz de fazer coisas geniais, mas nunca ganhou nada de jeito na vida (salvo dinheiro).

BES - BES. É o patrocinador. Fica-se sempre com a ideia de que, independentemente do resultado, fica a ganhar com a operação.

Vuvuzela - António Mendonça. Faz sempre o mesmo som, ninguém percebe para que é que serve, mas é um símbolo de que jamais nos esqueceremos.

E aqui vêem como as principais personagens do nosso país estão representadas na bola.

Comendador Marques de Correia

Texto publicado na edição da Única de 12 de Junho de 2010