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Expresso

Bloco de Notas

Xeque-mate?

Dia 13 de Março de 2006, palácio da Bolsa, conferência de imprensa do BCP - "Se fosse possível propor uma fusão unilateral, tê-la-íamos feito".

Foi com esta afirmação que Paulo Teixeira Pinto tentou justificar por que razão lançava uma Oferta Pública de Aquisição sobre o BPI. Um ano e meio depois é a vez de Fernando Ulrich lançar uma oferta sobre o BCP, na forma encapotada de uma fusão.

O negócio que Fernando Ulrich quer é o mesmo que veemente recusou, com uma importante ressalva: agora é ele a liderar. E neste tipo de negócios, saber quem no fim do dia manda tem um peso de gigante.

O BPI quer ser ele a liderar, e na banca, como em muitos outros sectores, quando se fala de negócios fala-se também e principalmente de pessoas, de poder e de egos.

A estratégia para o conseguir não podia ser melhor. Atacar no pior momento para o BCP, quando a instituição se encontra retalhada, órfã e sem uma estratégia clara; quando as acções atingiram um dos valores mais baixos do último ano e as perspectivas não auguram nada de bom; quando o banco foi ferido de morte na sua credibilidade. Pior, quando rumores apontam para o lançamento de uma oferta pública de aquisição sobre o banco vindo do eterno papão do BCP, Espanha!

Para os accionistas do BPI é inegável o atractivo da operação. Trocam uma posição elevada no terceiro maior banco privado com sede em Portugal por uma participação menor no terceiro maior banco a nível ibérico.

Para os accionistas do BCP também não é assim tão mau. Resolvem um enorme problema de liderança, e dá-lhes parte do que sempre quiseram, o BPI. Claro que uma OPA seria sempre preferível para quem procura o lucro de curto prazo, mas a médio prazo, com as sinergias alcançadas, o retorno não é de menosprezar.

Para o país, consegue-se manter o centro de decisão do Millennium BPI (o mesmo que dizer BPI), em Portugal, apesar dos dois maiores accionistas serem estrangeiros (La Caixa, catalão, e Eureko, holandês). E cria-se efectivamente uma oportunidade de um banco com base portuguesa poder ter uma palavra a dizer na Península Ibérica com todos os ganhos que daí se podem tirar.

E quem perde?

Perde o BCP, o banco que foi exemplo de sucesso "made in Portugal" e que é engolido por outro muito mais pequeno. Perde Jardim Gonçalves, que acaba 22 anos depois por atirar a toalha ao chão e entregar de mão beijada o 'seu banco' à oferta que melhor saída lhe proporciona.

EM ALTA

Vasco de Mello, Presidente da Brisa

A Brisa continua o seu processo seguro de expansão internacional. Sempre com parceiros locais a empresa vai aos poucos alargando a sua área geográfica de actuação. Hoje a Rússia, amanhã o Oriente é neste momento o percurso da concessionária

Fernando Ulrich, Presidente da Comissão Executiva do BPI

Apesar de se falar há muito da hipótese de fusão a proposta de Fernando Ulrich apanhou quase todos de surpresa. É um passo de gigante que a concretizar-se irá tornar o actual presidente executivo do BPI no homem-forte da banca em Portugal.

EM BAIXA

Vieira da Silva, Ministro do Trabalho e da Solidariedade Social

Mesmo com saldo positivo, a execução da Segurança Social piorou pelo facto do aumento das despesas ter sido superior ao das receitas. E mais uma vez o Ministério de Vieira da Silva continua a ver a qualidade da informação prestada ao Tribunal de Contas posta em causa.

Mário Lino, Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações

Não se entende a reacção de Mário Lino em relação à greve dos pilotos. O Governo sabia da contestação e menosprezo-a ao não querer sentar-se à mesa das negociações. Depois é fácil acusar os pilotos (que podem ter ou não razão) de falta de patriotismo.

Paulo Fernandes, Presidente da Cofina

Depois de ter sido absolvido em tribunal de primeira instância, a Relação condenou agora Paulo Fernandes pelo crime de utilização de informação privilegiada. Uma mancha desnecessária na imagem do empresário.

João Vieira Pereira