Siga-nos

Perfil

Expresso

Bloco de Notas

Triste história esta

Por muito que me esforce não consigo ficar contente com os vários milhões de investimentos projectados para a zona de Alqueva. Sempre que um novo projecto turístico é apresentado ou que um (pseudo)investidor refila com a (pseudo)burocracia castradora dos Planos Director Municipal fico doente.

Um dos poucos recursos naturais que temos é de facto o clima ameno. E este deve ser explorado ao máximo. Não é vergonha alguma ser a Florida da Europa, mas é, no mínimo, muito redutor. Infelizmente associada à ideia da Florida europeia vem um comportamento dos agentes económicos que condiciona todo o tecido empresarial.

O mercado de segunda habitação obriga a empreendimentos de luxo, rodeados por infra-estruturas caras e desproporcionadas ao meio onde se inserem. Ou seja, mais betão. Aos poucos zonas inteiras de Portugal são vendidas em lotes a turistas ávidos por um lugar ao sol. Até os fundos de pensões do norte da Europa já exportam os seus clientes seniores à procura de locais mais baratos onde os colocar. Mercado que até as Misericórdias querem aproveitar.

Mascarados de PIN (Projectos de Interesse Nacional), empreendimentos turísticos são apresentados como vitórias políticas de um Portugal moderno. Percebo que assim o seja em determinadas zonas, mas quando se quer tornar o maior lago artificial da Europa, construído como uma espécie de Santo Graal para a agricultura alentejana, num novo centro turístico...

Sem entrar pela questão da viabilidade de construir empreendimentos no coração de uma das zonas mais remotas e mais quentes de Portugal, já ninguém estranha a importância dada ao betão em detrimento da agricultura. Mesmo que seja à beira de uma das maiores reservas de água. Ainda esta semana o 'Público' noticiava que o sistema de rega desenvolvido para Alqueva continua sem satisfazer os milhares de hectares de terrenos agrícolas devido às constantes rupturas dos canais.

Indiferentes, os projectos turísticos proliferam. Não deve faltar muito para que se comecem a exigir melhores acessos à zona. E porque não uma nova auto-estrada a ligar Alqueva ao aeroporto de Lisboa ou de Faro para transportar rapidamente, não produtos agrícolas, mas, claro, turistas.

É por este tipo de situação que, a contragosto, tenho que aplaudir os empresários estrangeiros (principalmente espanhóis) que estão a comprar aos poucos o Alentejo. Pelo menos eles têm o objectivo de produzir produtos agrícolas para exportar para Espanha e daí para o mundo.

EM ALTA

 



Santos Ferreira, Presidente da CGD

Desde que chegou à Caixa, Santos Ferreira tem conquistado vitórias. Além de ter conseguido manter uma administração suficientemente coesa (apesar das dificuldade de gerir uma casa por vezes demasiado política), colocou a CGD no topo dos bancos com mais lucros e vê agora a marca Caixa considerada como a mais valiosa. Em apenas um ano a avaliação feita aponta para uma valorização de 609 milhões desse activo.

 



Correia de Campos, Ministro da Saúde

É um dos ministros com pior imagem no Governo, o que não o impede de ser um dos que mais feitos vai colhendo. As contas dos 23 hospitais EPE melhoraram e, apesar de ainda estarem no vermelho, o défice reduziu-se para 160 milhões, menos 40%.



Pedro Teixeira Duarte, Presidente da Teixeira Duarte

Até pode ser apenas uma tentativa de 'tapar o sol com a peneira', mas o acordo que permite antever uma futura solução pacífica para a crise no BCP tem o cunho de Pedro Maria Teixeira Duarte. Sem o empenho do maior accionista do BCP teria sido impossível chegar a um entendimento com o 'grupo dos 7'. Resta saber se este entendimento irá durar além da próxima Assembleia Geral. A grande questão permanece. É o BCP gerível com um conselho de administração em guerra civil?

EM BAIXA

 



João Salgueiro, Presidente da Associação de Bancos

Caso ainda não saiba, o simples acto de pedir o livro de reclamações ao balcão de um banco já é possível. Nos primeiros seis meses do ano o Banco de Portugal recebeu 3210 queixas de clientes de instituições financeiras, 86% das quais referentes a bancos. Para um país onde refilar formalmente não faz parte da tradição do consumidor, este número levanta algumas interrogações sobre a qualidade do serviço da banca.

João Vieira Pereira