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Expresso

Bloco de Notas

Quando é que devem descer os impostos?

Deve ser o momento que todos os políticos anseiam, aquele em que conseguem anunciar uma baixa de impostos.

Para José Sócrates esse momento está cada vez mais perto. Ainda sem conhecer o Orçamento do Estado para 2008 (este ano apresentado quase com vergonha, ao fim da tarde de uma sexta-feira), é fácil antever que a redução na carga fiscal está iminente. O "cocktail" perfeito de circunstâncias deverá estar concluído durante o próximo ano. Findo o qual basta juntar uns pozinhos mágicos de "show" mediático, agitar bem e servir a mais proveitosa medida eleitoral: é a política!

Mas o que falta a José Sócrates para avançar com a medida?

Vejamos. O problema do défice público está resolvido. Ainda este ano uma grande vitória ao conseguir reduzir o défice para os 3%, o limite imposto pelo Pacto de Estabilidade e Crescimento (PEC). Claro que esta vitória foi essencialmente conseguida via aumento da receita dos impostos, com a ajuda de um ou outro corte estrutural na despesa e de uma ou outra desorçamentação. Para o ano, mesmo abdicando da receita extraordinária que deveria vir do aumento do imposto sobre os produtos petrolíferos, Teixeira dos Santos garante que irá cumprir os 2,4% de défice, valor já muito abaixo do limite imposto por Bruxelas. E é para o ano também que deverão ser visíveis os grandes cortes na despesa. Nesta área parece, pois, estar tudo bem.

Do lado de Bruxelas, cumprir mais cedo os critérios do PEC devia ser suficiente para que uma redução de impostos não fosse excessivamente mal recebida. E mesmo que fosse condenada por Bruxelas, se outros países, como a França, ignoram os recados da Comissão Europeia... Claro que há a questão da presidência portuguesa da União Europeia, não ficando muito bem avançar agora contra a vontade da comissão.

Também o crescimento económico puxa a uma descida de impostos. Devemos continuar a crescer a um ritmo satisfatório no próximo ano, mas menos do que era esperado. Uma redução de impostos seria um óptimo incentivo para ajudar o crescimento económico, nem que fosse como mero sinal.

E, surpreendentemente, até o PSD ajuda. A entrada em cena de Menezes e do seu discurso populista vai exigir de Sócrates uma actuação que fale agora mais ao coração do que à razão.

A única coisa que falta então para que o Governo baixe os imposto é a coincidência com o calendário eleitoral. O que só vai acontecer no Orçamento do Estado para 2009.

EM ALTA

Gonçalo Quadros, CEO da Critical Software

"Está na altura de a Critical devolver alguma coisa à sociedade". É desta forma que Gonçalo Quadros explica por que quer ajudar a (re)formar trabalhadores que estão no desemprego. O objectivo é, por exemplo, pegar nos cerca de 40 mil professores que não foram colocados e fornecer-lhes as ferramentas para poderem mudar de profissão. Parece simples, e por isso estranho, que nunca ninguém se tenha lembrado de que neste grupo de desempregados estão escondidos óptimos profissionais a quem apenas faltam as ferramentas certas.

Teixeira dos Santos, Ministro do Estado e das Finanças

Chegar ao fim do ano com um défice nos 3%, e por isso dentro dos critérios do Pacto de Estabilidade e Crescimento, é um feito que muitos julgavam impossível. Atingir esta meta é, sem dúvida, uma das grandes vitórias de Teixeira dos Santos enquanto ministro das Finanças.

Fernando Pinto, Administrador-delegado da TAP

O destino Brasil sempre foi uma aposta da equipa de gestores brasileiros que Fernando Pinto trouxe consigo para a TAP. Com o desaire da Varig, o domínio das rotas do Atlântico Sul ainda se torna mais evidente. À TAP faltam agora aviões para poder cobrir ainda melhor as potencialidades daquele mercado.

EM BAIXA

Filipe Pinhal, Presidente do BCP

Filipe Pinhal é, logo depois de Jardim Gonçalves, de quem nos lembramos quando se fala do BCP. Agora que assumiu o cargo que muitos defenderam que sempre deveria ter sido dele, descobrem-se factos que o envolvem nos negócios desastrosos de Filipe Jardim Gonçalves, um dos filhos do fundador do banco. Na mesma semana em que é inaugurada com grande expectativa a operação bancária na Roménia, é um rude golpe para o ainda recente presidente do Millennium BCP.

João Vieira Pereira