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Bloco de Notas

O perigo dos juros baixos

Juros baixos são o sonho de qualquer consumidor, investidor, empresário e até dos banqueiros.

Para o consumidor, cria a ilusão automática de enriquecimento. Uma espécie de totoloto instantâneo. Um vasto número de bens passa a estar acessível à simples distância de uma assinatura. A acessibilidade ao crédito cria a maior oportunidade de todas: comprar uma habitação própria mais cara, se calhar até acima das reais possibilidades. Para os restantes créditos a ilusão monetária não é tão grande mas mesmo assim não deixa de ter o seu impacto.

Para os investidores, juros baixos significam mais dinheiro a circular nos mercados. A rentabilidade reduzida do dinheiro produz um efeito positivo nas bolsas com ganhos esperados no futuro maiores.

Para os empresários, significa um custo de capital mais baixo, maior facilidade de investimentos e, claro, mais procura dirigida aos seus negócios.

Só que na economia, por cada força que empurra para um lado, existe uma reacção muitas vezes com efeitos negativos.

O excesso de liquidez provoca mais consumo, que provoca uma subida generalizada dos preços. Conhecem-se hoje alguns benefícios da inflação se ela for moderada. Não existe consenso sobre o que é uma inflação moderada, mas foi criado um mito à volta dos 2%. Até este valor é expectável que os efeitos negativos não se façam sentir.

Mas existe outro facto bem mais preocupante e imediato do que as pressões inflacionistas. Grandes períodos com juros baixos criam uma pressão imobiliária enorme. A procura crescente de habitação própria ao longo do tempo desencadeia uma corrida ao imobiliário que normalmente acaba em bolhas especulativas. Não podemos ignorar o que se passa nos EUA ou em Espanha, nem fechar os olhos aos indícios do nosso mercado. Basta olhar para todo o lado para ver que a oferta imobiliária está desajustada da procura, construtores incapazes de fazer frente aos seus compromissos por não conseguirem escoar os seus produtos. Claro que existem áreas onde a oferta é rapidamente absorvida, mas no geral não é isso que acontece. O desequilíbrio é gritante!

Resta saber como vai esta situação ser digerida. Uma coisa é certa, a economia portuguesa não aguentava muito mais tempo com os juros tão baixos sob o risco de entrar numa espiral terrível. Por muito que seja difícil aceitar, o aumento dos juros não pode ser visto como algo terrífico, mas sim como algo normal para o qual todos têm de estar preparados.

Em Alta

 



Alberto da Ponte, Presidente da Central.
Ter falhado a compra da Compal não foi suficiente para Alberto da Ponte parar. A Central vai avançar no mercado de refrigerantes e sumos. O próximo ano será crucial para o desenvolvimento e testes de produtos que deverão fazer a sua estreia no mercado apenas em 2009. É caso para dizer: se não os podes comprar, concorre com eles!

  



João Figueiredo, Secretário de Estado da Administração Pública.
A conta-gotas os vários Ministérios vão cedendo no envio de funcionários em excesso para o quadro de supranumerários (rebaptizado mobilidade especial). Esta semana foi a vez dos Ministérios da Administração Interna, Cultura e Saúde. No total o número de funcionários públicos nesta situação atinge já os 1206.

Em Baixa 

 



Germano Marques da Silva, Presidente da mesa da Assembleia Geral do BCP.
Vergonha! Era a ideia consensual que assaltava quase todos os accionistas do BCP que estiveram presentes na última Assembleia Geral. De facto, é pouco compreensível que numa instituição com o prestígio do BCP uma reunião importante e mediática como esta tenha corrido tão mal. O presidente da mesa não está isento de culpas e a sua actuação continua envolta em polémica, com decisões questionáveis já para a próxima AG, no dia 27 de Agosto.

 



Américo Amorim, Empresário.
Não se contesta a legalidade da acção. Se de facto houve imposto retido sem razão ele deverá ser devolvido. Mas faz-me sempre confusão quando vejo os supostos grandes empresários deste país a recorrerem a estratagemas legais para pagarem menos impostos do que deviam. O recurso a "holdings" sedeadas no estrangeiro é apenas um de muitos.

João Vieira Pereira