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Expresso

Bloco de Notas

O passeio dos Santos

Há já algum tempo que se tinha percebido que a tarefa do défice não ia ser afinal impossível, nem sequer muito difícil.

O pesadelo de Pina Moura, Oliveira Martins, Ferreira Leite e Bagão Félix não passa de uma noite mal dormida para Teixeira dos Santos.

Basta lembrar que grande parte das medidas mais polémicas (aumento do IVA, imposto sobre os combustíveis e imposto sobre o tabaco) foram anunciadas pelo anterior ministro. Mesmo o congelamento das carreiras e a forte moderação salarial estavam já previstos.

E, claro, do lado da receita as coisas não podiam ter corrido melhor. O quase ex-director-geral dos Impostos bateu todos os recordes de receita e mudou a ideia de que em Portugal fugia aos impostos, não quem podia, mas quem queria. E hoje com certeza que são muito menos os que podem. E pelo meio a economia ainda ajudou ao fechar o ano a crescer uma décima acima do estimado (apesar de ter ajudado as contas, este facto não deve ser festejado pois crescer 1,3% num ano é pouco, muito pouco. E o pior é que nos próximos anos a expectativa não é muito melhor).

Um passeio portanto para Teixeira dos Santos.

Os próximos anos não serão tão benevolentes e vislumbram-se alguns percalços no horizonte.

Qual será o verdadeiro impacto das medidas de contenção apresentadas pelas Finanças? Possivelmente só saberemos no final do próximo ano se são suficientes para levar a uma redução da despesa. As opiniões divergem. Pessoalmente prefiro acreditar que os cortes compensarão a falta de receitas que se irá sentir. É que em 2007 o dinheiro arrecadado pela máquina fiscal não irá continuar a crescer ao mesmo ritmo dos anos anteriores. Paulo Macedo fez bem o seu trabalho e recuperou muito do que era possível deixando pouco para quem lhe suceder. E mesmo os ganhos de eficiência serão menores. Logo, mesmo que o próximo director-geral faça esquecer Macedo (o que parece difícil), o comportamento da cobrança nunca será tão positivo.

E depois resta a economia. As bolsas deram o primeiro aviso. A Europa está bem, os EUA nem por isso. E um espirro em Espanha é sinónimo de uma constipação deste lado, mas até agora o milagre permanece intacto. Resta saber até quando a economia resiste à subida dos juros e ao endividamento para com o exterior.

Nuvens que permanecem teimosas no horizonte, mas que se por lá ficarem são boas notícias no caminho de redução do défice. Para que possamos continuar a dizer que a descer todos os 'Santos' ajudam.



Em alta

Manuel Pinho, Ministro da Economia Há determinadas pessoas que servem à medida para os cargos, há outras que levam tempo a adaptar-se à cadeira. Manuel Pinho encaixa na segunda categoria. Os primeiros dois anos de Governo não foram simpáticos para o ministro da Economia mas, aos poucos, Pinho está a conseguir afastar-se das polémicas e centrar-se nos seus grandes objectivos. As novidades para a Autoeuropa fazem respirar de alívio a economia e o seu ministro.



Fernando Pinto, Administrador delegado da TAP A meio do ano passado, o sempre optimista Fernando Pinto surpreendeu ao alertar para alguns problemas que punham em risco os resultados da TAP. No seu entender, a companhia estava à beira de não atingir os objectivos acordados com o Governo. Desta vez, o gestor estava enganado e o bom desempenho no segundo semestre trouxe a TAP para os lucros.



Isabel Ferreira, Presidente da Comissão Executiva do Best Foram necessários seis anos e alguns reajustes de estratégia para que o banco Best atingisse os primeiros resultados operacionais positivos. A instituição, que nasceu como o primeiro banco "online" em Portugal, e que tem como accionistas o BES e a PT, mostra que afinal é possível ganhar dinheiro juntando Internet e finanças.



Em baixa

Jorge Neto, Deputado do PSD Foi um triste espectáculo aquele que Jorge Neto originou esta semana na Comissão de Orçamento e Finanças. O deputado, que não faz parte daquela comissão, é também o presidente da Associação dos Accionistas Minoritários da PT e esteve presente na última Assembleia Geral em representação da participação da Insight. Demasiadas vestes para uma só pessoa que, pela experiência política que tem, devia prestar melhor serviço ao país em vez de utilizar as instituições democráticas para resolver questões associadas aos interesses que defende.



João Vieira Pereira