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Expresso

Bloco de Notas

Hipocrisias

Quanto mais sei sobre o que se passa dentro do BCP mais certeza tenho que o mundo da banca está repleto de hipocrisias.

Os banqueiros falam na maior parte da vezes numa linguagem própria, cheia de códigos indecifráveis. Raramente dizem preto no branco aquilo que pensam (neste ponto talvez seja necessário excluir Fernando Ulrich) e, por isso, são detentores de um discurso hermético e enfadonho. Esta atitude assenta numa espécie de código secreto do banqueiro, que não está escrito mas que todos respeitam. Para os senhores da banca há certas coisas que não se fazem e muitas mais que não se dizem.

Por isso, e para tentar perceber o que se passa, aqui fica uma espécie de 'manual de instruções básicas para a guerra no BCP':

1 – Esta é uma guerra entre Jardim Gonçalves e Paulo Teixeira Pinto, apesar de continuarem a dizer que não existe qualquer problema entre os dois, versão muito distante da realidade;

2 – No conselho de administração do banco, composto por nove elementos, cinco administradores fiéis a Jardim estão contra a gestão de Paulo Teixeira Pinto e querem retirá-lo da presidência do banco;

3 – Paulo Teixeira Pinto quer, por seu lado, que este grupo de cinco elementos abandone a administração para colocar no seu lugar pessoas da sua confiança;

4 – Esta é uma guerra em primeiro lugar por dinheiro e em segundo por poder; quer os intervenientes sejam administradores do banco, quer sejam accionistas, todos têm muito a ganhar e a perder ainda mais;

5 – Existem accionistas alinhados com ambos os lados; procuram posicionar-se para terem acesso a posições nos órgãos sociais do banco, o que lhes abrirá portas lucrativas, discutindo mesmo entre eles quem fica aonde; mesmo para grandes empresários com impérios feitos, não é indiferente participarem e terem acesso à gestão do BCP;

6 – Pelo meio do posicionamento de accionistas existem rivalidades antigas, como a da família Moniz da Maia e a de João Pereira Coutinho contra Jardim Gonçalves, e alianças aparentemente inquebráveis, como a da família Teixeira Duarte com o fundador do BCP;

7 – É fácil imaginar que no meio de toda esta confusão os pequenos accionistas sejam mais uma vez os grandes perdedores;

8 – Até à hora da realização da assembleia geral do próximo dia 6 de Agosto, todos os cenários previstos se podem alterar;

9 – O que hoje é verdade amanhã já não o é. Nesta guerra, não tome nada por certo.

 

Em alta



Santos Ferreira , Presidente da Caixa Geral de Depósitos

Numa semana de resultados semestrais da banca, os milionários lucros da Caixa Geral de Depósitos acabaram por passar despercebidos. A imprensa económica foi invadida por vivas a Ricardo Salgado (o BES foi o que mais conseguiu subiu os lucros) e por reconhecimento ao Santander (há 11 trimestres a crescer 20%), mas foi o discreto Carlos Santos Ferreira que conseguiu levar o 'seu' banco a lucrar 489,7 milhões de euros em apenas seis meses. O valor mais alto de sempre registado na banca em Portugal.

 

Em baixa

 



Henrique Granadeiro, Presidente da Portugal Telecom

Afinal nem tudo foi mau para Henrique Granadeiro esta semana. A compra da Telemig e da Amazonia Celular pela Vivo acabou por salvar uma sucessão de acontecimentos negativos para o líder da PT. Os reguladores (Anacom e Concorrência) não aceitaram a sua proposta para a separação da PT Multimédia da casa-mãe. Granadeiro terá agora de fazer alterações profundas no modelo de "spin-off" que tinha pré-concebido. E para piorar a situação, a Autoridade da Concorrência multou ainda em 38 milhões de euros - o mais alto valor de que há memória - a PT Comunicações por abuso de posição dominante.

 

 



José Manuel Viegas, Professor no Instituto Superior Técnico

Professor no IST é uma das vozes mais respeitadas em matéria de transportes em Portugal. Foi também ele que deu o seu cunho ao estudo da CIP que aponta Alcochete como alternativa à Ota para instalação do novo aeroporto de Lisboa. Esta semana veio lançar nova confusão ao defender a manutenção da Portela, mesmo que a solução Alcochete avance. Tendo sido um defensor acérrimo da solução 'Portela +1', devia voltar a esclarecer que, apesar dos estudos, é este o figurino que defende como o melhor para o novo aeroporto.

João Vieira Pereira