Siga-nos

Perfil

Expresso

Bloco de Notas

Das musas ao teatro

A discussão sobre o novo aeroporto de Lisboa é um daqueles temas que já faz comichão.

A Portela é claramente insuficiente face ao crescente movimento de passageiros. A solução tem sido adiada ano após ano por incapacidade política de quem esteve com este dossiê em mãos. A Ota pode ser o pior sítio no território nacional para construir um aeroporto (duvido que o seja), mas foi a escolha política alicerçada em estudos de estudos de mais estudos técnicos. Duvido que estes estudos estejam todos manietados de modo a forçar um novo aeroporto na Ota - já sei que com esta frase vou receber uma série de "e-mails" a intitularem-me de ingénuo. (Tenho de trocar de foto, talvez deixar crescer a barba).

O Governo teve a coragem, que mais ninguém tinha tido, para tomar uma decisão. Como diria um grande jornalista do mundo - Carlos Soria Sáiz - com quem tive o prazer de privar recentemente: "É hora de passar das musas ao teatro". No final, a obra pode ser um estrondoso desastre de bilheteira, mas esse risco corre qualquer localização para o novo aeroporto.

Marques Mendes, que necessita desesperadamente de tempo de antena, solta estudos e "soundbytes" para galvanizar o seu partido e fazer esquecer a desgraça que foram as propostas de baixar os impostos. De um dia para outro o seu assunto favorito é a Ota.

Mas o que disse Marques Mendes de concreto? Nada. Não basta dizer que a localização não serve. A esta altura do jogo é necessário apresentar soluções válidas. Aparecem outra vez as vozes soltas que falam em Rio Frio, Poceirão, Faia, Montijo, Barreiro, Alverca...

Estas não são as vozes de quem quer impedir uma asneira nacional, são as vozes do passado, do imobilismo, da irresponsabilidade. Que representam a estagnação económica em que nos encontramos.

Lisboa tem um aeroporto internacional? Tem. Esse aeroporto serve? Não. É necessário outro? É. Pode ser na Ota? Pode. O Governo já decidiu? Já. As obras já começaram? Não. O que quer a oposição? Não faço a mínima ideia...

Temos um país político a discutir a localização de um aeroporto como se fosse o assunto nacional. Como se não houvesse outros temas muito mais importantes com os quais gastar esse recurso muito escasso que é o tempo.

A Marques Mendes mais valia voltar a bater-se pela baixa de impostos, é muito mais urgente, mais popular e dava-lhe de certeza mais votos do que estar a rebater a Ota.



Em alta

Paulo Azevedo CEO da Sonaecom "Um dia ainda nos vão pedir para salvar a pátria". É uma frase de Belmiro de Azevedo, mas com a particularidade de ter sido dita por Paulo Azevedo, a propósito da actuação do Governo em relação à Portugal Telecom. Mais importante do que a premonição é o estilo que o novo homem Sonae assume, muito parecido ao do seu pai. Não será uma tarefa fácil substituir Belmiro, mas o começo é promissor.



Carlos Tavares Presidente da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários Quando aceitou o cargo para presidir à CMVM Carlos Tavares nem imaginava que iria ter de enfrentar o período mais conturbado da instituição. A firmeza com que tem enfrentado as duas OPA permite afirmar que o balanço é positivo. Esta semana veio mais uma vez mostrar como deve actuar um regulador, ao obrigar a alterar o acordo entre o BCP e o Santander para a OPA sobre o BPI.



Rodrigo Costa Presidente da PT Comunicações Chegou a ser apontado como o próximo líder da Portugal Telecom mas é na PT Comunicações, a grande dor de cabeça do grupo, que coloca à prova uma carreira de gestor internacional. Assume também a liderança da PT Sistemas de Informação e da PT Inovação, onde tem conseguido tirar proveito da sua experiência. Até os parceiros, agora não gratos, como a Telefónica reconhecem o excelente trabalho que fez na Vivo para migrar a mal sucedida rede CDMA para a GMS.



Em baixa

Mariano Gago Ministro da Ciência e Ensino Superior O processo MIT continua a assombrar o Governo. Desta vez pela disputa instalada entre quatro escolas de economia, Católica, ISEG, ISCTE e Nova. Tudo por causa do lançamento de um MBA de nível internacional que foi anunciado mas que ninguém vê. Católica e Nova, as escolhidas pelo MIT, adiantaram-se para lançar uma primeira versão. Há quem não acredite que o Governo tenha a capacidade de levar o processo avante.



João Vieira Pereira