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Expresso

Bloco de Notas

A moda espanhola

Não deverá ter sido de um momento para outro que se começou a generalizar uma fobia em relação às empresas espanholas. Hoje as maiores instituições oriundas do país vizinho são vistas como agressoras e nunca como aliadas.

Ainda a respeito da famigerada OPA, os amigos da Telefónica são agora os inimigos a abater. A operadora espanhola sempre foi um mal necessário dentro da Portugal Telecom. A sua participação no capital era a base para um acordo de não agressão cujo resultado foi prejudicial para a empresa portuguesa. Era como se nas telecomunicações existisse um novo tratado de Tordesilhas, só que desta vez altamente desfavorável para os interesses nacionais. A Telefónica não tem qualquer interesse na operadora portuguesa que sempre foi um meio para chegar ao objectivo Brasil. Levou tempo a perceber que esta não era uma soma de resultado nulo. A PT ficou com aquilo que a Telefónica permitiu.

No campo financeiro, a OPA também fez baixas e o Santander é agora visto como "inimigo" para a Administração da PT. Aliás, a banca tem sido profícua neste tipo de juízos. Desde a polémica decisão de Champalimaud de vender os seus bancos a Emílio Botín, que o fantasma da invasão espanhola carrega o semblante dos banqueiros portugueses. Mais recentemente as caixas espanholas têm sido atacadas depois do crescente interesse do La Caixa no BPI. A Administração espanhola já disse que queria tornar o BPI a sua operação em Portugal.

A Iberdrola protagonizou outro dos episódios caricatos ao ser impedida de se sentar no Conselho de Administração da EDP, apesar de ser o maior accionista privado da mesma.

Todos conhecemos quais são os interesses espanhóis nas empresas portuguesas. São os mesmos dos investidores nacionais e resumem-se a: ganhar dinheiro. E é com esta lei que temos de viver a partir do momento que há a decisão de colocar as empresas em Bolsa. E que sempre que alguém compra, espanhol ou não, há alguém que vende e que padece do mesmo desejo monetário.

Quando olhamos para Espanha temos de ver o exemplo dos portugueses que conseguem lá ir buscar dimensão e deixar de desculpar o insucesso nacional através do sucesso espanhol.

Espanha é o nosso principal parceiro económico e é assim que tem de ser vista. Mas também é verdade que não podemos permitir tudo e temos de exigir oportunidades iguais. O resto? Bem, o resto é o mercado, e há que saber que depois de ir a jogo cada um joga os seus trunfos e não há volta a dar.



Em alta

Manuel Ferreira de Oliveira, CEO da Galp Energia Os louros têm de ser partilhados com Marques Gonçalves, que foi quem no ano passado mais tempo esteve à frente dos destinos da empresa e por isso o principal responsável pelos bons resultados. A Galp Energia obteve 755 milhões de lucros em 2006, mais 8% do que no ano passado. A este sucesso somam-se os consecutivos êxitos na exploração que têm sido obtidos pela empresa. Investir na exploração de petróleo é uma aposta arriscada mas até agora os resultados têm sido prometedores.



Vieira da Silva Ministro do Trabalho e da Solidariedade Social. As metas de recuperação de dívidas traçadas por Vieira da Silva para o próximo ano estão cheias de optimismo. O seu Ministério prevê recuperar 550 milhões de euros, mais 17% do que no ano passado. E desta vez existem razões que permitem acreditar que será possível cumprir tais metas. De facto, em 2006, a recuperação de dívidas à Segurança Social foi 33% superior ao que estava previsto.



João Figueiredo Secretário de Estado da Administração Pública Já era tempo de o Governo encerrar este dossiê. Passaram quase dois anos desde a tomada de posse e a reforma da administração pública ainda está por fazer. Mas mais vale tarde do que nunca e as novidade anunciadas esta semana fecham um capítulo imprescindível para se tentar salvar a função pública. A medida mais polémica prende-se com a possibilidade de um trabalhador ser alvo de um processo disciplinar se tiver duas avaliações negativas consecutivas. Ora isto só acontece se o corporativismo dentro da função pública for derrotado. A alternativa é nunca haver um funcionário público com duas notas negativas. É caso para desejar boa sorte!



Em baixa

António Horta Osório Presidente do Abey National Na conferência de lançamento da OPA sobre a PT, António Horta Osório apareceu ao lado de Belmiro e Paulo Azevedo. Era claro o envolvimento do Santander neste negócio que, também para o banco, não deixava de ser milionário. Horta Osório trocou Portugal por Londres e entretanto a OPA morreu. O ex-presidente do Santander Totta é também um dos perdedores daquele que era para ser o maior negócio de sempre em Portugal, e deixa agora o seu sucessor, Nuno Amado, com a difícil, senão impossível, tarefa de conseguir pacificar as relações entre a Portugal Telecom e o Santander. É que o banco espanhol era o que tinha o maior relacionamento comercial com a PT.



João Vieira Pereira