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Expresso

António de Almeida

Setembro à porta

Agosto, o mês das ilusões em que tudo pára, está a terminar. Tudo, excepto assembleias gerais, telenovelas e futebol. Ao retomar a cronicagem, retribuo, com amizade, à dra. Manuela Ferreira Leite o amável cumprimento que me dirigiu na última crónica.

Pensando já no longo fim-de-semana do 5 de Outubro, na próxima semana, os portugueses voltam ao trabalho. Fazem contas ao dinheiro que gastaram e sofrem as faltas de ar provocadas pelo agravamento do endividamento para gozo da viagem de pacote, da moda estival, do marisco e das imperiais. As cidades voltam à confusão. Os CEO deitam contas ao susto provocado pelo "subprime". Culpa dos mal preparados gestores americanos. Quando as cotações se empertigam, mérito dos inteligentes gestores europeus. Os modelos de governo das empresas, sem culpas pelos disparates que se têm ouvido, nem todos inocentes, merecem algum tempo de descanso. Os políticos, mais queimados, voltam a reanimar o nosso quotidiano.

Para lá destas dores de cabeça individuais, atenuadas pela problemática da Liga, da saída de Fernando Santos e das transacções e lesões dos craques, está o país. Os próximos quatro meses vão ser sobrecarregados e difíceis. A presidência da UE ocupará muito tempo do Governo. Se é verdade que todos desejamos se salde por excelentes resultados, não o é menos que a conjuntura actual obriga a olhar para os nossos problemas com redobrada atenção e numa perspectiva estrutural.

A crise das hipotecas vai deixar marcas, designadamente na avaliação dos riscos de algumas operações e no seu custo. Na travestida independência de alguns operadores do mercado de capitais. Há quem faça dos modelos matemáticos um dogma. Da engenharia financeira uma arte. Da fotografia, sempre passível de retoques, a realidade. Do "chinese wall" um Muro de Berlim. Nos últimos dois anos foram tomadas decisões corajosas e necessárias. Há que preparar o Orçamento para 2008. O país vai no bom caminho, mas, tal como o maratonista, é fundamental ultrapassar as dificuldades do meio do percurso e do ambiente em que tem de correr. Com as forças retemperadas em Agosto, Setembro é um mês excelente para esse indispensável esforço.

Economista