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Expresso

António de Almeida

Rum da Madeira

Pelo título da crónica, pensarão que vou fazer alguma tropelia à 'Pérola do Atlântico', por onde passei pela primeira vez em 1939. Gosto de mais da Madeira, onde sempre fui recebido com carinho, para escrever algo que não seja o que de grato me vai na alma. Descansem, pois, os milhares de amantes da baixa lusitana intriga.

A razão é outra. Há muito que não passava horas num avião de hélice. Aconteceu na semana passada. Depois de me ter entregue ao estudo das recentes decisões da Comissão sobre o Mercado Interno de Energia, decidi ler a 'Flylal', revista de bordo da Lithuanian Airlines. Um anúncio dava a conhecer a Cepkeliu, bebida incluída na lista protegida pela UE como produzida apenas naquele país do Báltico.

Um mapa da Europa, com bandeiras adequadamente localizadas, mostrava outras bebidas igualmente protegidas. O Irish Cream, o Scotch Whisky, o Champanhe, a Grappa, o Jerez. As questões de liquidez atormentam hoje tanta gente que a sua protecção se afigura fundamental.

Portugal, país com tradições em matéria de boa pinga, não podia estar ausente. No anúncio, para os lados de Portalegre, aparecia uma bandeira que revelava a portuguesa bebida protegida aos viajantes daquela companhia de aviação. Qual Porto! Nada menos, nada mais, que o Rum da Madeira.

Chegado a Portugal, embrenhei-me no Orçamento para 2008, o qual, numa primeira análise, me pareceu equilibrado, realista e coerente. Uma das acertadas prioridades nele contidas tem a ver com mais energias renováveis. A nossa exagerada dependência energética assim o obriga. Entre elas, os biocombustíveis. A cana-de-açúcar, que os árabes cultivaram na Península Ibérica, e à qual ofereci seis anos da minha vida no palúdico Vale do Incomáti, pode dar um valioso contributo para esse objectivo. Com a vantagem de permitir a produção de rum.

A Flylal deu uma excelente ideia, sem os poluentes custos da consultoria. Ajuda a desenvolver a agricultura. Permite ganhar posição nos biocombustíves. Adita a produção de rum, já com marca protegida, se a Madeira autorizar. Justifica a graça de sermos apelidados cubanos. E nada mais adequado para as frias noites que se aproximam do que um ecológico aquecedor a Rum da Madeira.

Economista