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Expresso

António de Almeida

Eficácia e eficiência da chita

De urgências médicas, só sei como utente. Sou gestor. A minha leitura da urgente contestação ao ministro da Saúde vai no sentido daquilo a que se chama racionalização e que Correia de Campos procura, como é sua obrigação, levar a cabo. Em Economia, ensinam o conceito de bens escassos e a indispensabilidade de se fazer a sua óptima utilização. Recursos escassos desperdiçados numas acções, por mais simpáticas que sejam, acabam por faltar para outras. A vida é feita de escolhas. Por isso, temos de ser eficazes e eficientes.

Há anos, numa conferência, falava destes conceitos e notei alguma confusão entre a assistência. Expliquei. A esbelta chita, quando, do alto de um rochedo, olha atentamente para a planície pejada de herbívoros, está a fazer um exercício de eficácia. A seleccionar a presa. Escolhida esta, inicia o exercício da eficiência. Procura ser racional. Quando inicia o ataque, sabe que as calorias que a presa lhe vai fornecer, e que terá de repartir com as crias, têm de ser bem maiores do que as que vai consumir no esforço da caça. Não dispondo da arma do protesto, resta-lhe a eficácia e a eficiência.

Os humanos têm comportamentos curiosos. A maioria está normalmente de acordo com a eficácia. Reduzir a despesa primária, garantir a viabilidade da Segurança Social, racionalizar recursos, aumentar a concorrência, criar postos de trabalho. Quando há que cortar aqui para se ser melhor ali, já todo o mundo berra contra a eficiência.

Num dos 'Prós e Contras', registei o gosto pela racionalização do presidente de Valença quando disse não ser racional transportar um doente à urgência de Monção para depois passar novamente por Valença caso tenha de ser levado a Viana.

Todos querem racionalização, combate ao desperdício, melhor uso do dinheiro público, naturalmente com menos impostos, mas com a condição de não lhes tocar a eles. Que os sacrifícios sejam dos outros. Ser ministro devoto da boa gestão dos escassos recursos do país não é tarefa fácil. Anda muita gente a querer tratar-lhes da saúde, mas, para o futuro de todos, a urgência está na cultura da eficácia e da eficiência dos responsáveis. Em caso de dúvida, perguntem à chita.