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Expresso

Editorial

Um rumo incerto

Uma proposta do ministro da Saúde provocou naturais ondas de choque na sociedade: a introdução do pagamento de taxas nos internamentos hospitalares.

Antes de cada um se posicionar perante uma proposta tão estranha – ninguém é internado porque quer – seria necessário compreender o alcance da medida, para lá dos motivos meramente económicos. Se é verdade que Correia de Campos já poupou mais de 200 milhões de euros no seu Orçamento, é certo que também nos leva grande parte do nosso: os portugueses estão entre os europeus que mais contribuem para a Saúde. Por isso, é natural que nos informem: o modelo deste ministro é o actual Serviço Nacional de Saúde, com remendos que vamos pagando em medidas pontuais, ou é outro?

Não se trata de criticar medidas avulsas, que até podem fazer sentido. Trata-se de compreender para onde vamos, que modelo queremos seguir, enfim, onde queremos chegar para – então sim – cada um fazer as suas opções.

O mesmo se poderia dizer, aliás, de outros sectores, sobretudo da Educação. Ao contrário do que se passa na Administração Pública e na Segurança Social, onde o ponto de chegada parece relativamente claro – concorde-se ou não com ele –, na Saúde e na Educação o objectivo final das pequenas e grandes mudanças introduzidas por este Governo permanece obscuro.

Ora, uma reforma cujo objectivo não é explícito torna-se incompreensível e a prazo é potencialmente explosiva.

Talvez isso explique, aliás, a surpresa da ministra da Educação com a grandiosidade do protesto dos professores.

Não basta dizer que as reformas irão até ao fim.

É necessário explicar que reformas e quais os seus objectivos e modelos exactos.

 

Pequenas coisas

Além de considerações sobre a grande corrupção, oportunamente feitas pelo Presidente da República e pelo procurador, Pinto Monteiro salientou um aspecto inédito: que cada português tenha consciência dos seus pequenos ilícitos.

Se cada um de nós recusar participar nesse mundo de fugas aos impostos, cunhas e prendinhas, a corrupção cai drasticamente.

Tem toda a razão.

Chegámos à Madeira

Finalmente um Governo português começa a pôr Jardim na ordem. Espera-se que as motivações sejam justas e não meras considerações de ordem eleitoral.

De qualquer forma, já não era sem tempo. E ainda que o presidente regional ameace, incluindo com a única coisa que pode fazer – sua demissão –, espera-se que não haja transigências. Nem agora nem no futuro.