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Editorial

Um apelo ao voto

Votar é o maior dever de um cidadão em relação ao seu país. Não o cumprir, embora seja legítimo, é desprezar o nosso futuro e a nossa coesão enquanto povo.

(www.expresso.pt)

O Expresso nunca tomou posição editorial sobre umas eleições legislativas, ou qualquer acto eleitoral. Não o faz porque é um jornal plural, aberto a todas as correntes, respeitando-as por igual.

Como jornal que foi fundado num regime sem liberdade, mas tendo sempre pugnado por ela, o Expresso acredita que é nas eleições - naquilo que a ciência política designa como a possibilidade de alterar o poder sem violência - que se fundamenta a liberdade e a democracia.

Muitas pessoas em Portugal nos interrogam sobre a razão por que os jornais não tomam posição sobre a orientação de voto. Pois bem, o Expresso não a toma por pensar que os alicerces sobre os quais foi fundado e se desenvolveu podem ser prosseguidos por diferentes modelos de Governo e por diferentes partidos no poder.

Isto não significa que não defendamos causas e ideias. Não somos um jornal amorfo, sem alma e sem convicções. Claro que as temos e, basta recordar o nosso Estatuto Editorial, para as podermos afirmar sem hesitações.

Somos, em primeiro lugar, pela liberdade de expressão e contra qualquer forma de censura. Entendemos que tem havido regulação a mais nesta matéria e esperamos que os partidos que criaram este sistema - PS e PSD - caiam em si e alterem o actual estado de coisas.

Somos pela independência das redacções e pela afirmação da sua autonomia. Não nos entendemos como veículos de ninguém, não o queremos ser e repudiamos as tentativas daqueles que gostariam que fôssemos. Por isso mesmo, mantemos um órgão eleito por todos os jornalistas - o Conselho de Redacção - como organismo de aconselhamento da Direcção Editorial.

Somos pela defesa de uma sociedade democrática onde todos tenham oportunidade de se expressar, sem discriminação. Defendemos que a sociedade civil tenha força, peso e voz, como contraponto de um Estado que, por vezes, tem excessivo peso e presença, mas défice de poder, uma vez que não consegue actuar sobre todos os cidadãos de forma igual, nomeadamente na aplicação da Justiça.

Defendemos a integração europeia e o Tratado de Lisboa como forma de desenvolver a cooperação e paz na Europa e de criar um mundo global com maior justiça e equidade.

Defendemos um ambiente saudável que não coloque em risco as gerações futuras; como defendemos o acordo ortográfico e o desenvolvimento da língua portuguesa como veículo de comunicação global, ocupando o lugar que merece uma das seis línguas maternas mais faladas no mundo.

As nossas posições aqui ficam expressas. Que cada leitor possa reflectir nelas antes de participar nas eleições com a sua escolha livre, é o nosso apelo ao voto.

Texto publicado na edição do Expresso de 25 de Setembro de 2009