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Expresso

Editorial

Os eco-fascistas estão entre nós

É uma frase feita dizer-se que não se pode dar a liberdade por assegurada. Mas não pode mesmo. O ataque de um pequeno e insignificante grupo de radicais ao mais célebre campo de milho transgénico em Portugal tem o condão de nos lembrar disso mesmo: que o totalitarismo, a intolerância, o desprezo pela propriedade individual e outras marcas próprias dos fascismos de direita e esquerda estão presentes e se mascaram de diversos modos, se movem por diversas causas.

Não há qualquer – uma só – prova científica de que o milho transgénico (da qualidade que é autorizado em Portugal e na Europa) seja pernicioso para a saúde. O que está em causa, para os radicais, é uma questão de fé, um facto em que acreditam sem provas racionais, e não mais do que isso. Nesse sentido, a irracionalidade dos seus actos filia-se filosoficamente na negra lista dos crimes cometidos por uma convicção irracional.

Naturalmente, estes crimes têm gradações diferenciadas e, sobretudo, consequências muito diversas. Seria ridículo comparar os resultados de um pequeno distúrbio às grandes matanças de Pol Pot, de Mao, de Estaline, de Hitler ou dos autos-de-fé das várias inquisições. Mas a motivação, o 'gene transviado' (passe a ironia) que leva alguém a agir irracional e violentamente em nome do que apenas um pequeno grupo considera ser o 'bem' existe tanto nesses actos como nas mais pequenas acções.

É por isso que se deve combatê-las de imediato e denunciar aqueles (como Miguel Portas, deputado europeu) que apoiam ou 'compreendem' a iniciativa; ou as organizações que, acoitando-se numa Universidade, não respeitam os limites do Estado de Direito Democrático. Na verdade, nada distingue os actos desta gente das iniciativas que a extrema-direita tem vindo a desenvolver.

Por ter cão...

A GNR foi muito criticada no caso do ataque ao campo de milho transgénico. Porém, depois de dar a ordem (cumprida) para que abandonassem o campo e depois de identificar os principais cabecilhas, que mais poderia fazer aquele corpo? Bater? Prender? A proporcionalidade na repressão é fundamental. E, se o acto é ideológica e politicamente grave, do mesmo modo é óbvio que é criminalmente insignificante.

A voz da Europa

Luís Amado foi ao Kosovo e, com linear bom senso, disse o que a Europa necessita de ouvir: não pode haver, sobre o estatuto do Kosovo, uma posição dos EUA e outra da Rússia, sem que ninguém conheça a posição da Europa. Não se podendo agradar a sérvios e kosovares, é urgente que se tenha uma voz e uma ideia. A menos que a Europa se conforme em voltar a ser o palco de uma querela EUA/Rússia.