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Expresso

Editorial

O terramoto e as sequelas

Os remédios que a Autoridade da Concorrência decidiu impor à Sonaecom para autorizar que esta compre a PT só podem ser lidos de uma maneira: Abel Mateus, presidente da Autoridade, considera que muita coisa estava mal em matéria de concorrência no sector das telecomunicações. Que a PT se comportava no mercado de forma monopolista.

 

Ao dizer isto, contudo, Abel Mateus passa um atestado de incompetência à Anacom, entidade de supervisão das comunicações, e – do mesmo modo – passa à própria instituição que dirige atestado idêntico.

 

Na verdade, se tanta coisa estava mal no sector, por que nada fez a Autoridade da Concorrência para alterar o panorama agora descrito?

 

E se a OPA acabar por não ir em frente, como pensa a Autoridade da Concorrência corrigir tudo o que agora veio dizer que está mal?

 

Seja qual for a resposta da Autoridade, nada ficará como antes no sector das telecomunicações em Portugal.

 

O dia 6 de Fevereiro ficará como um marco; a data em que Belmiro de Azevedo e o seu filho, Paulo Azevedo, avançaram para esta operação (que na passada quarta-feira recebeu um importante impulso) foi também o momento em que os dois prestaram um relevante serviço ao país: obrigaram a PT a reagir e a mudar a sua forma majestática de se comportar perante a concorrência e os clientes. Recordaram a todas as administrações indolentes do país que o mundo não é dos maiores – é dos mais ágeis. E este terramoto ainda tem sequelas.

 

Contudo, é cedo para dizer se o resultado final será positivo. Mas uma coisa é certa: se a Sonae vencer, ao mesmo tempo que o maior grupo privado português reforça a sua posição e se consolida, o país vê desaparecer a única multinacional que conseguiu construir desde 1974.

 

 

Lula

 

No meio de diversos escândalos, um dos quais o obriga a responder ao Tribunal Superior Eleitoral, o Presidente Lula lá se vai aguentando nas sondagens como mais do que provável vencedor das presidenciais no Brasil.

 

No meio do caldeirão de loucura em que se está a transformar a América Latina – recordemos Hugo Chávez ou Evo Morales – o chefe do Estado brasileiro aparenta ser um exemplo de moderação e de bom senso. Sinal dos tempos.

 

Agora Mozart

 

'Idomeneo, Rei de Creta' foi retirada da programação comemorativa dos 250 anos de Mozart, na Alemanha, devido a uma encenação considerada ofensiva para os muçulmanos.

Na cena em causa, Maomé, Cristo e Buda eram decapitados. Duvida-se do bom gosto do encenador (embora a ópera se relacione com iras divinas), mas não há dúvidas de que os fanáticos nos censuram e nos condicionam.