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Expresso

Editorial

O sexo dos anjos

Será possível comunicar os grandes desafios que a humanidade tem de superar sem cair na depressão? Não haverá outro modo de encarar temas como o ambiente, a demografia, as diversas pandemias, sem cair numa espécie de profecia apocalíptica?

Provavelmente, não. Mas a forma trágica e meio sensacionalista de colocar os problemas a que vimos assistindo torna-se, em si mesma, um problema, uma vez que descredibiliza as próprias análises. Se tomarmos como exemplo o caso da sida, metade de nós estaríamos mortos a crer nas projecções que foram feitas nos anos 80.

No entanto, isto não significa que as grandes ameaças não sejam para levar a sério. O relatório do britânico Nicholas Stern, que afirma que o impacto das alterações climáticas pode ser superior ao das guerras mundiais ou ao da Grande Depressão, aí está para confirmar o cenário verdadeiramente preocupante que Al Gore tem divulgado no seu filme 'Uma verdade inconveniente'.

No meio de todo o ruído, entre as visões apocalípticas e aqueles que dizem que tudo não passa de propaganda, é necessário que líderes credíveis tenham a coragem de apostar numa agenda que, podendo não ser popular, é determinante para o nosso futuro. É necessário que os dirigentes políticos o façam, mas também todos aqueles que têm uma posição de predomínio na sociedade.

Perante os enormes desafios civilizacionais, alguns debates tornam-se ridiculamente mesquinhos. Não é por acaso que muitos daqueles que se dedicam e preocupam com estes assuntos evocam o cerco de Bizâncio – quando os notáveis da cidade, já com o inimigo a entrar nas suas portas, ainda discutiam o sexo dos anjos.

É tempo de compreender que só vamos a tempo se todos compreendermos que ainda vamos a tempo.

 

O império contra-ataca

Em Pequim, mais de 30 líderes africanos assistiram às grandes realizações chinesas. Os dirigentes comuno-capitalistas, depois de exportarem ideologia, obras públicas e tecnologia, querem exportar o seu modelo político. Têm hipóteses: a China (que já é responsável por metade da taxa de crescimento africana) é pragmática, totalitária e lucrativa... atributos muito bem vistos pelos líderes de África.



Coitado

Um deputado do PSD/Madeira afirmou que a acção do Governo central levantou, de novo, a problemática da independência da Região. É certo que se trata apenas de uma opinião, mas é uma opinião pouco sóbria. Nem valia a pena o SIS investigar eventuais movimentações independentistas; ninguém na Madeira quer ser independente – esse é um fantasma que já não pega. Coitado de quem não consegue melhor estratégia do que a usada há 30 anos.