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Expresso

Editorial

O preço da competência

Paulo Macedo foi requisitado a um Banco para ocupar o cargo de director-geral das Contribuições e Impostos. A medida soou a estranho, porque era inédita, e tornou-se alvo de algumas desconfianças políticas. Na altura o Governo era do PSD coligado com o CDS, a ministra das Finanças era Manuela Ferreira Leite e o rigor era palavra de ordem.

O Governo mudou (depois do infeliz interregno santanista), mas manteve-se – felizmente – a ideia de rigor e o nome de Paulo Macedo. Mas uma lei que postula que ninguém no Estado pode ganhar mais do que o primeiro-ministro acabou por ditar a não continuação do trabalho do director dos Impostos.

Ninguém duvida da sua competência, toda a gente reconhece o valor do seu trabalho e quase todos dizem que ele 'saiu barato' – ou seja, é certo que ganhava muito, mas cobrava imenso e a fuga ao fisco tornou-se mais difícil.

No entanto, o Governo não admite excepções; diz que ninguém é insubstituível e que tem de haver um certo sentido de serviço público. Admitamos que sim. Mas, nesse caso, por que razão o presidente da CGD, o governador do Banco de Portugal e os administradores de tantas empresas do Estado podem ganhar muito mais do que Paulo Macedo e do que o primeiro-ministro? Serão eles insubstituíveis? Serão salários de mercado? Estas variantes não existirão quando se trata do perfil de competência necessário a um director-geral dos Impostos?

Não é admissível que o Governo entenda que todos os directores-gerais devam ganhar o mesmo (independentemente do que dirigem).

E menos admissível é a sensação de que Paulo Macedo caiu porque, na verdade, o Governo não o quis manter. Ou a ideia de que se ele fosse da mesma área política ainda lá estaria. Esperemos, ao menos, que seja bem substituído.

Regresso

Há um certo dom em Paulo Portas que consegue mobilizar a atenção de toda a comunicação social para o seu regresso ao CDS – um partido em crise, cujo peso na sociedade portuguesa é diminuto.

Portas já foi líder do CDS e deixou-o em plena crise, depois de uma derrota nas legislativas. Estava em silêncio, na travessia do deserto, e não tem nada de extraordinariamente novo a dizer. Mas a verdade é que conseguiu, precisamente, dar a ideia de que tinha

O camelo estatístico

O primeiro-ministro não gosta dos números adversos do desemprego. Tentando provar que a coisa não é tão má como parece, Sócrates desdobrou-se, na AR, em demonstrações estatísticas. Jerónimo acusou-o de "torturar os números", Louçã lembrou-lhe "que a média de um camelo com duas bossas não pode ser uma mula" e Marques Mendes chamou-lhe "autista". Por uma vez, tinham razão os três.