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Expresso

Editorial

O 'povo em armas'

Devem os militares ter os mesmos direitos que os cidadãos vulgares? Toda a gente concordará que tal não é possível. A pertença às Forças Armadas implica uma disciplina e uma contenção próprias que não se compadecem com, por exemplo, manifestações e declarações contra o Governo ou as decisões das chefias. Ou seja, os membros das Forças Armadas têm obviamente menos direitos do que os comummente previstos na Lei.

Desde que o serviço militar passou a ser voluntário (coisa que para os oficiais e sargentos sempre aconteceu), as razões desta restrição de direitos aumentaram. Só é militar quem quer. E quem escolheu essa vida sabia de antemão o que o esperava.

Ao contrário do que era afirmado na cartilha revolucionária, a tropa não é o 'povo em armas'. Ser militar é uma profissão com regras próprias e muito estritas. Os oficiais e sargentos sabem-no muito bem; por isso, quando 'disfarçam' uma manifestação, chamando-lhe 'passeio', dão de si uma imagem de trapaceiros, uma fraca figura para militares.

Por muita razão que tenham no seu descontentamento, de nada vale aos oficiais mostrá-lo em público. Sendo uma corporação, as Forças Armadas têm meios próprios para mostrar os seus 'estados de alma' às chefias.

Além disso, é impensável imaginar o Governo a ceder a um grupo de militares. O Executivo que o fizesse ficaria, para sempre, sob suspeita de não ter conseguido controlar a cadeia hierárquica. Ficaria ferido de morte.

Mas há uma coisa que o Governo, se age de acordo com as suas competências, pode e deve fazer: interrogar as chefias militares sobre o estado da disciplina nas Forças Armadas. Porque uma cadeia hierárquica que não consegue impedir um 'passeio' destes ou está desprestigiada ou tem um enorme problema por resolver.



Coisas fixes

Os estudantes do secundário também saíram à rua. Contra as aulas de substituição e a favor de coisas fixes, de quase tudo – algo que só se pode pretender ter quando se é mesmo jovem. Infelizmente, a moderna pedagogia não é de molde a explicar-lhes a ideia da contrariedade; a sensatez de que a vida não é o que cada um quer.

Dantes os mais velhos diziam-no com autoridade aos mais novos. Depois, este conceito foi banido e em troca ganhou-se o vazio.

Um silêncio cobarde

Segundo os relatos da última Assembleia Municipal de Lisboa, Carmona Rodrigues ficou calado quando a vereadora Maria José Nogueira Pinto o desafiou. A centrista pedia-lhe que esclarecesse por que razão a havia acusado de deslealdade.

O silêncio do presidente foi feio. Uma acusação tem de ser provada, justificada. E se por acaso Carmona está envolvido numa guerra que não é sua, que o esclareça.