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Expresso

Editorial

Ministro ou tribuno?

A recente ida de Maria de Lurdes Rodrigues ao Parlamento e as reacções que a prestação da ministra despertou na Comunicação Social voltaram a suscitar a velha questão da forma e do conteúdo na mensagem dos políticos. Não interessa, aqui e agora, discutir a pertinência das medidas adoptadas pela titular da pasta da Educação; antes reflectir sobre os efeitos que a forma inadequada como desempenhou o seu papel em S. Bento, quando tentou justificar os resultados e as decisões sobre os exames do secundário, poderão ter sobre o seu futuro no Executivo.

A prestação da ministra conseguiu unanimidade: foi má. O Canal Parlamento mostrou uma governante aflita, com ar de quem se quer mostrar segura de si, embora sabendo que não vai conseguir explicar-se. A altivez que fez questão de manter contrastava com a debilidade do discurso. Os relatos dos jornais deram conta de um "chumbo", de um evidente "não satisfaz". Mas que falhou na prova oral de Maria de Lurdes Rodrigues? O seu conhecimento sobre a matéria, ou a capacidade de exposição? Reprovou – e pronto, dir-se-á.

Postas assim as questões, o resultado tende a ser enganador. Um titular de um ministério pode ser incapaz de explicar as suas políticas e, no entanto, ter ideias e conceitos adequados; a inversa não é menos verdadeira e não faltam "grandes" governantes que só o foram pelos seus dotes oratórios, não pelo que fizeram. Quando pensamos num ministro, queremos um tribuno ou um político capaz de concretizar um projecto interessante? Exige-se eloquência, ou pedem-se soluções? Se são os dotes de tribuno que condicionam a opinião sobre os ministros – mesmo sobre os que tutelam as áreas técnicas e sociais – então temos de estar preparados para, no extremo, ter governos compostos por exímios oradores, sejam ou não péssimos administradores.

As apreciações que sobrevalorizam o retrato físico ou a embalagem intelectual subestimam o essencial. A fazerem lei, haverá excelentes políticos que nunca terão oportunidade de chegar ao poder.

J.G.