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Expresso

Editorial

Igualdade ou ingerência?

Quando os ministros das Finanças da zona euro discutem como e quanto devem receber os gestores das grandes empresas europeias partem do princípio de que os salários daqueles são exageradamente altos. Nesse sentido, aliás, já se tinham pronunciado a chancelerina alemã, Angela Merkel, o Presidente francês, Nicolas Sarkozy, e o Presidente português, Cavaco Silva. Enquanto crítica num plano moral, de apelo à contenção de remunerações milionárias para uma maior e mais justa distribuição do valor criado, há uma evidente razão nas palavras destes estadistas.

Porém, quando os ministros do Eurogrupo ponderam agir de forma concertada de modo a restringir os critérios de fixação dos salários, o caso torna-se uma ingerência. Não é normal que governos queiram limitar aquilo que os accionistas ou proprietários de grandes empresas estão dispostos a pagar aos seus quadros com mais responsabilidades.

Quando os ministros entendem que os pagamentos de prémios deveriam ser feitos em função da rendibilidade de longo prazo das empresas (e não anual ou semestral, como acontece), estão uma vez mais com razão. Mas há que perguntar-lhes que legitimidade têm para impor essas ou outras regras a empresas privadas.

A menos que os ministros do Eurogrupo defendam o que em muitos casos acontece - a promiscuidade entre governos europeus e grandes empresas -, estas devem ser livres de estabelecer os seus objectivos e pagamentos.

Como os Estados são livres de fiscalizar, taxar e lançar impostos sobre essas empresas e sobre os rendimentos dos seus executivos.

Nada como cada um no seu lugar. A justiça da igualdade não pode ser pretexto para a iniquidade da ingerência.

Revisão em baixa

A revisão do crescimento previsto para este ano não surpreende. O que surpreende é a dimensão dessa revisão; de uma penada, o Governo cortou as expectativas de crescimento em quase um terço, passando de 2,2 para 1,5%. Também não surpreende que o primeiro-ministro e o ministro das Finanças tenham andado a dizer que a economia portuguesa não seria afectada pela crise. O que surpreende é que agora digam, com a mesma cara, que tudo é justificado pela crise.

Fanfarrão?

Alberto João Jardim ameaça regularmente candidatar-se a líder do PSD. Depois desiste, com vagos argumentos de que não o merecem.

Com tais avanços e recuos, dá de si próprio a ideia de que não está preparado para perder.

A sua vinda para o Continente seria igual a trocar o certo (presidente do Governo Regional) pelo incerto (a possibilidade de uma derrota).

Resguardado no Funchal, pode continuar a brindar-nos com as suas diatribes - as quais, como se vê, têm a consistência da fanfarronice.