Siga-nos

Perfil

Expresso

Editorial

A solo no palco

Mal tinham encerrado as urnas, já toda a gente tinha percebido que a vitória do 'Sim' era esmagadora. Um pouco depois, José Sócrates apareceu e - tendo o cuidado de mostrar grande moderação - recolheu os louros.

O líder do PS e primeiro-ministro, que em 2005 conseguiu mais de 45 por cento dos votos, relegando o PSD para os 28 por cento, apresentou-se agora como o vencedor do referendo e líder dos quase 60 por cento de apoiantes do 'Sim'. Desta vez, o PSD, sem posição oficial, desapareceu.

Isto é dizer que, num dos principais actos políticos de 2007, Sócrates conquistou, tal como nas Legislativas, além de toda a sua esquerda, uma boa parte do centro.

Como é previsível que no outro momento político decisivo deste ano - a presidência da UE -, o PSD não se distinga pela Oposição, o primeiro-ministro chegará ao fim do ano sem problemas que não sejam os causados à sua esquerda, nomeadamente pelos sindicatos.

Cavaco Silva já apelou ao grande consenso na elaboração da nova lei do aborto. O Presidente, cuja posição sobre o tema não foi expressa mas é facilmente adivinhada, sabe bem de quem é a iniciativa, pelo que decidiu usar toda a sua influência para impedir que, do ponto de vista da direita, o que já foi um desastre não se transforme em tragédia.

A melhor aposta e esperança do centro-direita é que Sócrates se desgaste a cumprir o seu programa de apertar o cinto e de reformas. Mas, paradoxalmente, quanto mais escrupuloso for o Governo nessa matéria, menos margem terá o PSD para fazer oposição. Porque este referendo não deixou indicações sobre qualquer liderança ao centro capaz de disputar o protagonismo a Sócrates.



Condenar os bandidos

Quase três anos depois, sentam-se no banco dos réus os acusados pelo maior atentado terrorista em Espanha. São 29, dos quais 18 estão detidos e comparecem no tribunal. Do enorme processo constam 200 provas de ADN que podem contribuir para a descoberta dos responsáveis pelos 191 mortos e 1824 feridos do dia 11 de Março de 2004.

Mais do que a retórica, eis uma boa oportunidade para mostrar a superioridade de uma civilização, de um modelo: julgar rapidamente com imparcialidade, sem preconceitos e sem ter qualquer receio de condenar quem é bandido.