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Expresso

Editorial

A Ota e as alternativas

Quando nos propõem um novo aeroporto de Lisboa, em que estão a pensar, concretamente? Num que cumpra uma função de centralidade? Que seja alternativa ao de Madrid e a outros grandes aeroportos europeus? Num que seja apenas periférico? Numa placa giratória importante para os voos do Brasil e África Austral?

Sobre estes aspectos deveria haver um consenso político alargado, mas não se sabe, sequer, se há. O que se sabe é que o PSD não gosta da alternativa Ota, por algumas razões que não se entendem bem, e que o Governo adora a Ota e não vê mais alternativas possíveis, também por motivos que não se compreendem inteiramente.

Nos programas de TV e da rádio, os populares manifestam-se pela Ota ou por outro local qualquer, como se afirmassem as suas preferências por um clube de futebol. Subitamente, todos sabem de espaço aéreos, cargas, interfaces, pistas de aterragem e aerogares.

Ora, o mais avisado será saber, em primeiro lugar, para que queremos um novo aeroporto; que funções irá desempenhar? Qual a sua relevância tendo em conta as prometidas linhas de TGV? Quando se fala de milhões de passageiros, em que modelos nos baseamos? O PS e o PSD estão de acordo sobre esses modelos?

Com estes aspectos claros, trata-se de escolher tecnicamente - sublinhe-se - um terreno e um modelo de aeroporto condizente. Apesar da polémica (habitual entre nós, recordem-se o CCB, a Ponte Vasco da Gama, os estádios) não é tarefa impossível. Além disso (recordem-se, de novo, os estádios) há que nomear um responsável (claramente identificado e escrutinado) que impeça as habituais derivas megalómanas e derrapagens financeiras.

Infelizmente, em Portugal, começou-se o debate pelo fim; é por isso que, por vezes, ele não tem pés nem cabeça.

A direita surrealista

O que se passa no CDS é verdadeiramente espantoso. Tão espantoso que nem se percebe a quem aproveita o escândalo e o desmando. Portas pensaria que tomava o partido sem esforço; Ribeiro e Castro deu-lhe inesperada luta. No meio de tudo isto, há acusações de golpes e de agressões num ambiente que lembra as guerras das universidades privadas. O CDS/PP ainda se transforma em CDS/Para Quê?

All 3 milhões

A marca Allgarve é um achado de saloiice. E foi lançada pelo ministro da Economia. Gastar três milhões para fazer um trocadilho (que só mesmo os portugueses e pouco mais compreenderão) é verdadeiramente alucinante. Além do atentado ao idioma com a colaboração do Governo, modifica-se, nesta campanha especial, o nome da região (que pelas boas regras do "marketing" se deveria manter e afirmar em todas as circunstâncias).