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Expresso

Editorial

A hora da reconstrução

Chegou a hora de dar a volta a Lisboa. O município tem 10 trabalhadores por cada mil habitantes (o dobro de Madrid ou de Barcelona), quase um terço da sua população tem mais de 65 anos e na última década perdeu um quinto dos residentes. Lisboa gasta dinheiro, envelhece e definha.

Também segundo estudos recentes, em Portugal são cada vez mais caras as deslocações casa-emprego: 14,3% do PIB (150 mil milhões de euros) perdem-se no dia-a-dia, entre os subúrbios e os centros das cidades. Lisboa serve, de dia, uma população que pouco tem a ver com quem nela habita.

O diagnóstico está feito. António Costa tem de iniciar a terapia. Esta vereação é uma das mais bem preparadas que Lisboa já teve. Entre os 17 vereadores, há bons políticos, experimentados autarcas e reconhecidos técnicos em áreas tão importantes como as finanças, a arquitectura e o urbanismo.

A tarefa que têm pela frente não é pequena: poucas vezes terão sido tão graves os problemas. Mais de 1.200 milhões de euros de passivo é uma dívida demasiado grande.

Tudo obriga a actual vereação a ser o ponto de viragem. Pelos problemas que é necessário enfrentar para travar o êxodo de moradores e equipamentos, mas também porque a elevada abstenção no dia das eleições não pode ser apenas explicada pelo Verão.

Nas intercalares de Julho, houve menos de 40% de eleitores nas urnas e, entre estes, quase 30% optaram por movimentos independentes. Se outros sinais não houvesse, estes resultados seriam suficientes para mostrar que chegou a hora. António Costa disse que ouviu "com muita clareza" a mensagem do "povo de Lisboa". Só lhe falta provar que é capaz de a interpretar e de refazer a cidade.

Eu não fui...

No mesmo dia em que inaugurava o terminal do aeroporto onde vão ser gastos 380 milhões de euros em obras destinadas a serem demolidas em 2017, o ministro Mário Lino dizia não ter sido ele quem "inventou" a Ota. Agora que os militares aceitaram dispensar o campo de tiro de Alcochete e o futuro da Ota parece ainda mais incerto, o projecto arrisca-se a que lhe aconteça o mesmo que a tantos outros que correram mal: não ter responsável.

A bem da transparência

O caso Charrua é um daqueles episódios que nunca deviam ter acontecido. Defender o direito ao insulto é indigno, insistir que esteve em causa "uma piada" é uma mentira, dar ouvidos a delatores é revoltante e fazer de conta que nada de grave se passou na Administração é descabido. Mas foi revelador de como se movem os pequenos poderes, sejam eles da cor do Governo ou da oposição.