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Expresso

Editorial

A forma da política

É comum ninguém ligar às formalidades próprias da política. Há quem as considere meras 'hipocrisias' – palavra preferida da antiga esquerda – e quem pense que é assunto do passado. Mas a formalidade é substancial para que os actores políticos se tratem com o devido respeito e deferência e não se transformem em puros demagogos dispostos a acicatar os piores instintos de cada um, a explorar a ignorância dos governados, ou a incentivar interesses privados e mesquinhos.

Jardim sempre utilizou linguagem excessiva. Se olharmos para o modo como iniciou o seu discurso de demissão - feito na qualidade de presidente do Governo Regional da Madeira (cargo que lhe dá acesso ao Conselho de Estado) – verificamos que ele se compraz em não cumprir qualquer formalidade. Independentemente da razão política que possa ter, refere-se a uma Lei do Parlamento, verificada pelo Tribunal Constitucional e assinada pelo Presidente da República como uma ''violação da Constituição'' executada pelo ''poder socialista de Lisboa'' que resulta numa ''inadmissível alteração ditatorial''.

Os termos inaceitáveis, exigiriam que Jardim fosse (também formalmente e, claro, em público) chamado à atenção pelo modo como se expressa. Mas o Estado português não se quer dar ao respeito e tolera todas as suas invectivas. Não está em causa o direito de discordar de uma Lei. O que está em causa é o facto de alguém, na qualidade de presidente de uma Região, não respeitar a formalidade que deve ao Presidente da República, à Assembleia da República, ao Governo e ao Tribunal Constitucional. Este respeito é exigível até a um presidente de uma Junta de Freguesia.

É também pena que motivos meramente de aritmética política levem o PSD a caucionar uma linguagem indecorosa e intolerável.

Mês do ambiente

Nestas últimas quatro edições, o Expresso dedicou especial atenção aos temas do ambiente. Ao mesmo tempo, compensou o CO2 emitido na sua produção, facto inédito na Imprensa portuguesa.

O nosso objectivo, como dissemos na primeira destas edições, a 3 de Fevereiro, não era defender um ponto de vista ou uma teoria, mas propiciar o debate e trazer para a primeira linha da informação um tema que andava mais ou menos arredado da actualidade. Conseguimo-lo. Nas nossas páginas e um pouco por todo o país, discutiu-se o efeito da acção dos homens sobre o clima, o que cada empresa e cada pessoa individualmente podem e devem fazer para podermos encarar o futuro com mais confiança.

Pelo nosso lado, continuaremos a dar estes temas a atenção que nas últimas semanas lhes temos dado. Porque acreditamos que este é um assunto que diz respeito ao nosso futuro colectivo e porque continuamos a afirmar que esta é uma causa que vale a pena informar e debater.